5 coisas que você precisa saber sobre arquitetura inclusiva

A arquitetura se sustenta como ciência em dois pilares: exato e humano. É ciência exata quando se ocupa de projetar, calcular e acompanhar construções, mas por outro lado é ciência humana por todos esses aspectos terem que ser pensados a partir dos mais diversos usos e das mais variadas necessidades do ser humano. Por isso, a arquitetura inclusiva não pode ser um segmento arquitetônico, mas um olhar do arquiteto sobre qualquer trabalho desenvolvido.

Como o arquiteto é o profissional responsável por planejar os espaços, ao idealizar um, ele precisa ter em mente que nem todas as pessoas têm as mesmas condições e necessidades de uso daquele mesmo local, e que os indivíduos têm necessidades de acessibilidade diferentes ao longo da vida.

Da mesma forma que crianças podem precisar de proteção (telas e grades) em sacadas e janelas, ao longo da vida adulta as pessoas podem precisar de rampas para acessar alguns lugares.

Assim, o arquiteto precisa ter um olhar para desenvolver seu trabalho de maneira a tornar o espaço projetado acessível a todos os seres humanos, atendendo à diversidade e à especificidade de cada indivíduo. Como a profissão contempla essa dualidade exatas vs. humanas, as suas construções precisam ser desenvolvidas respeitando as diferenças. O desafio aqui é projetar espaços de uso comum para pessoas diferentes.

Sabendo da importância do olhar inclusivo na arquitetura para a acessibilidade e inclusão do próprio indivíduo, elaboramos este artigo com 5 coisas importantes que você precisa saber sobre arquitetura inclusiva. Leia e entenda melhor!

1. Como funciona a arquitetura inclusiva

A arquitetura inclusiva busca incluir as diversas necessidades no seu planejamento. É projetar para além do homem padrão — jovem, saudável, magro e sem qualquer necessidade especial. Nesse tipo de olhar, o profissional respeita e entende as diferenças, tornando os locais públicos e particulares acessíveis a todos.

Com os espaços urbanos cada vez mais caros, disputados e com as áreas de construção ainda mais reduzidas, o arquiteto deve ser capaz de produzir, de forma criativa, um ambiente que atenda à diversidade.

Além disso, deve ser o responsável por orientar a população sobre essa necessidade de mudar a forma de construir. Os espaços devem ser pensados para trazer a inclusão social para todos: crianças, idosos, bebês em seus carrinhos, pessoas com capacidade de movimentação reduzida (temporária ou permanente) etc.

2. Como aplicar a arquitetura inclusiva

No dia a dia, a arquitetura inclusiva projeta a acessibilidade e o conforto de todos os usuários do ambiente. E vai além do que se tem feito. Na prática, o projeto arquitetônico garante a todos os indivíduos o uso do espaço com independência e autonomia.

Um exemplo dessa necessidade são vagas de estacionamento delimitadas para pessoas com deficiência, que não dispõem de área suficiente para a movimentação diferenciada de cadeiras de rodas ou outros equipamentos. A vaga precisa existir, mas ela precisa ter um espaço diferente dos veículos de uso comum, pois a pessoa que necessita do uso de cadeiras de rodas tem que ter espaço para entrar e sair do carro.

Pensar na pessoa com necessidades especiais sem planejar o espaço para as especificidades daquelas necessidades é ineficiente. Como consequência de não contemplar a inclusão nos projetos temos acidentes e a necessidade de reformas e adaptações. Para auxiliar os profissionais, já existem softwares que ajudam no projeto e na simulação do ambiente, possibilitando encontrar falhas ainda na fase inicial.

3. O que considerar para elaborar o projeto

Ao planejar um espaço, é preciso pensar na obra e também nos usuários. Se o espaço é particular, o arquiteto deve entender qual é a expectativa de uso atual e futura dos donos da obra.

Se um arquiteto é chamado a projetar o imóvel para um jovem casal, deve pensar que tal obra é para uso de longo prazo, por isso deve planejar de modo que não precise de grandes alterações para receber os filhos que o casal pode vir a ter e até o envelhecimento dessas pessoas.

Caso seja um empreendimento público, o arquiteto deve atender a legislação vigente, garantindo a possibilidade de ocupação, acesso e mobilidade a todos. Rampas, a largura e o modo de abertura de portas, o local e as dimensão de vagas para estacionamento, entre outros aspectos são extremamente importantes.

Ao elaborar o projeto, é preciso considerar:

  • a garantia uso com independência e autonomia;
  • o conforto e a segurança dos usuários;
  • a organização do espaço;
  • a adequação da obra à legislação;
  • a necessidade de uso atual e futura;
  • o custo maior no início da obra, que compensa o transtorno e o custo extra para reformas.

4. Os principais desafios da arquitetura inclusiva

No Brasil — país com muitas crianças, uma população que está envelhecendo e uma parcela de pessoas com dificuldades permanentes de locomoção —, a arquitetura não pode ser reduzida a um padrão de usuário.

O grande desafio é se livrar do paradigma de que se deve planejar para o normal e ter uma solução anormal para os outros usuários. Para tornar uma construção um meio de inclusão social, o arquiteto precisa pensar na diversidade e projetar para a forma que as pessoas executam suas atividades cotidianas. É preciso planejar pensando no conforto das pessoas jovens, de crianças, idosos, obesos, daquelas com qualquer dificuldade de locomoção etc.

5. Boas práticas na arquitetura inclusiva

As práticas da arquitetura inclusiva devem ser fruto da aplicação da técnica em cada projeto específico, de forma criativa e a atender à diversidade dos seus usuários.

Algumas boas práticas já surtem efeito e atendem às conveniências e individualidades de uso:

  • instalação de interruptores e botões de elevadores acessíveis a pessoas em cadeiras de rodas e de baixa estatura;
  • abertura de portas de banheiros em largura e direção para pessoas obesas e/ou com cadeiras de rodas;
  • instalação de rampas e elevadores para pessoas com capacidade de locomoção reduzida;
  • piso antiderrapante;
  • sinalização tátil no piso para rampas e escadas;
  • silanização de botões de interfones e elevadores em braile;
  • instalação de corrimão nas escadas;
  • área de circulação com fácil acesso (livre de barreiras);
  • disposição dos ambientes mais simplificada (sem muitos corredores para facilitar o acesso);
  • estacionamentos reservados (idosos/deficientes) posicionados mais próximos a entradas, rampas e acessos.

Hoje, a legislação e o mercado exigem que a acessibilidade vá além de um diferencial do trabalho: que seja cultura dos profissionais da construção projetar para incluir a todos e atender às suas necessidades naquele espaço. Além disso, é preciso gerir seu projeto com o objetivo de que o espaço esteja pronto para receber seus usuários de forma equitativa.

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