Assepsia e acústica dos hospitais em tempos de pandemia

Assepsia e acústica dos hospitais em tempos de pandemia
7 minutos para ler

Os impactos na arquitetura hospitalar e qual será o futuro das unidades de saúde.

Os hospitais e profissionais de saúde são os grandes protagonistas no atual cenário que vivemos e esse novo desafio também reflete em mudanças na arquitetura hospitalar, área que já tinha um alto nível de complexidade. Os espaços de uma unidade de saúde precisam ser projetados para que o cuidado e trabalho incessante dos profissionais de saúde seja facilitado, e para que o paciente tenha as melhores condições para a sua recuperação.

As recomendações da Organização Mundial da Saúde para evitar a disseminação do coronavírus têm duas indicações indispensáveis: manter o distanciamento social e fazer a limpeza frequente das mãos. Essas duas ações vêm mudado o comportamento das pessoas e atinge de forma considerável a concepção de arquitetura hospitalar, e como essa área pode contribuir para a não proliferação do vírus.

Arquitetura de emergência

A pandemia fez com que medidas urgentes, pouco vistas antes, fossem usadas para combater a doença, é o caso dos hospitais de campanha construídos ao redor do mundo para dar suporte no combate à pandemia. Com estruturas temporárias, esses abrigos emergenciais são erguidos “sob medida” para atender uma operação de guerra, e se encaixa perfeitamente em uma situação de pandemia. Mas adequações em hospitais que já existem também foram necessárias.

Por conta do alto nível de contágio da Covid-19, os hospitais, clínicas e ambulatórios que não foram pensados para uma pandemia também tiveram que fazer algumas adaptações, mesmo sendo locais preparados para emergências e situações extremas. A arquiteta e sócia fundadora da C+A Arquitetura para a Saúde, Ana Paula Naffah Perez, comenta que a pandemia já vem promovendo grandes mudanças no cenário da arquitetura para unidades de saúde. “A primeira questão que o Covid-19 trouxe é a triagem do paciente dentro do pronto atendimento e a necessidade de uma divisão entre casos respiratórios e o atendimento de outras patologias. O distanciamento é pensado em todos os ambientes como a recepção e as cafeterias para a proteção do colaborador e do paciente.”, afirma. 

Para Ana Paula, essas mudanças vão passar por duas fases: a que vivemos hoje em que a doença ainda não foi controlada e um segundo momento após a liberação de uma vacina. Mesmo assim, algumas questões de segurança por conta da pandemia devem passar a ser critério básico para a arquitetura de hospitais. “Hoje temos a pandemia Covid, mas isso não impede que no futuro tenhamos outra. O que estamos analisando com cuidado é como a arquitetura pode contribuir para a proteção de quem está na unidade de saúde agora e no futuro, então a forma de projetar com certeza irá mudar”, analisa.

Assepsia 

Além do distanciamento social, a limpeza é outro fator primordial para evitar o contágio! A assepsia é o conjunto de procedimentos para prevenir e controlar as diversas infecções que podem acontecer dentro do hospital por meio do cuidado com a limpeza e higiene. Os padrões assépticos já eram indispensáveis para projetos hospitalares e ganharam mais notoriedade nesse momento em que manter os ambientes completamente limpos é necessário não só na área da saúde, mas também em outros locais, como nos escritórios.

Ana Paula afirma que esse já era um critério muito importante antes da pandemia e agora passa a ter ainda mais notoriedade. “A arquitetura hospitalar sempre trabalhou especificando materiais que sejam passíveis da assepsia necessária dentro de uma unidade hospitalar. A gente primeiro especifica um material que seja passível de higienização e depois buscamos a técnica.”, afirma Ana Paula. 

No Brasil, a NFS 90-351 e a ISSO 14644 são classificações para uso de produtos em locais que precisam atingir níveis específicos de limpeza:

NF S 90-351: Essa é uma norma francesa, mundialmente conhecida que classifica salas limpas de acordo com o nível de gravidade do local, seguindo do baixo até risco muito elevado. O objetivo é certificar que as salas de um edifício hospitalar, por exemplo, têm o mínimo risco de contaminação decorrente de sistemas de circulação do ar, produtos instalados no teto e paredes, entre outros. 

ISO 14.644: Esse trecho da ISO especifica normas de ensaio de produtos para o desempenho de salas e zonas limpas. Nos testes, as partículas do ar são detectadas para analisar o desempenho dos produtos frente a essa necessidade.

A importância do conforto acústico para pacientes e profissionais de saúdePowered by Rock Convert

Soluções para Salas Limpas

É importante escolher produtos que são assépticos que atendem normas hospitalares respeitadas pelo mercado, e que também contribuam com outros critérios técnicos importantes. Nesse ponto todos os materiais são criteriosamente escolhidos, tanto por sua assepsia, quanto no papel que irá desempenhar. O conforto acústico é um desses critérios que se faz mais do que necessário em hospitais, é o que explica Ana Paula “A gente tem áreas dentro do hospital que os equipamentos geram muito ruído, como a UTI, que é um lugar que tem diversos sons acontecendo independente do trabalho da equipe. Dentro dessas áreas, o material acústico é muito importante por isso procuramos materiais que além da assepsia também tenham características acústicas.”

Nesse sentido, o mercado tem boas soluções acústicas que atendem as normas mais rigorosas, como as citadas anteriormente, tendo produtos que atendem ao nível 4 (Risco muito elevado) de classificação. 

Aprendizado!

O fato é que essas mudanças vão fazer cada vez mais parte do cotidiano da arquitetura hospitalar. O melhor planejamento de rotas, uso de barreiras para o distanciamento dos pacientes com determinadas patologias e sistemas especiais para condicionamento do ar já são algumas das mudanças imediatas. E para os outros segmentos, algumas lições do que já era feito nos projetos de edifícios hospitalares serão bem importantes. 

Escritórios e restaurantes, por exemplo, já vêm adotando soluções para manter as pessoas distantes com o uso de divisórias, e o planejamento de rotas, muito comum para hospitais, agora é realidade em outros negócios. “A gente vai mudar o jeito de projetar sim, quem já trabalhava com saúde vai ter mudanças mais singelas, mas os outros segmentos vão ter que trabalhar requisitos que antes não eram considerados”, completa Ana Paula.

Sendo assim, produtos antes utilizados no segmento hospitalar terão notoriedade em outros projetos. “Esses são produtos que antes tratávamos só para área hospitalar por ter uma ótima performance acústica e de assepsia, mas agora vamos repensar para uso em outros segmentos também, já que são soluções bem versáteis”, comenta Mônica Campino, Gerente de Especificação do Portfolio de Acústica & Design Saint Gobain.

Melhores opções do mercado

O forro mineral Humancare da OWA Sonex e o Hygiene da Ecophon atendem à essas normas rigorosas para áreas que precisam respeitar níveis específicos de limpeza, tanto para áreas hospitalares quanto para outros locais já que a tendência é que outros espaços também passem a ter esse cuidado. 

  • Humancare: 

Disponível em placas modulares, o Humancare tem um tratamento biocida na superfície que expele as micropartículas combatendo o acúmulo de bactérias. Ele atende rigorosas normas hospitalares comentadas acima e tem ótima performance acústica com NRC de 0,85.

  • Hygiene: 

Também disponível em placas, o Hygiene além de respeitar as normas de limpeza de salas limpas, tem propriedades que permitem a limpeza do produto. Esse forro pode ser limpo diariamente com escova e aspirador ou uma vez na semana com pano úmido. Para limpezas mais avançadas também é permitido o uso de vapor de peróxido de hidrogênio. A performance acústica do Hygiene pode chegar a NRC de 0,90.

Colaboração Técnica

Ana Paula Naffah Perez – Sócia Diretora do C+A Arquitetura para Saúde

Mônica Campino – Gerente de especificação da OWA Sonex.

Você também pode gostar

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.