Certificação Leed 4.0: veja como ela interfere na inclusão da performance acústica de um ambiente

Conseguir uma certificação internacional Leed (Leadership in Energy and Environmental Design) é mais do que preservar recursos naturais e evitar impactos ambientais, é agregar valor aos olhos do cliente.

Ser um empreendimento sustentável é estar em dia com as tendências do mercado verde em todos os aspectos, inclusive do material utilizado na construção, práticas de construção e na performance acústica.

Mas para estar em dia, é importante entender quais foram as modificações feitas na Certificação Leed 4.0 que foi lançada recentemente em relação a última. A cada período de 2 a 4 anos, uma nova versão é desenvolvida com o objetivo de melhorar as tecnologias e práticas de uma nova edificação ou reforma.

Nesse processo são ouvidos órgãos e organizações de arquitetos e engenheiros para que ela tenha um valor prático. Essa versão foi feita com base em três pontos principais:

  • restringir algumas características técnicas e aumentar as exigências da certificação;
  • ter relevância para o mundo todo, já está presente em 153 países;
  • e abranger os diferentes tipos de edificações que hoje buscam o selo — estádios, prédios comerciais, hospitais, centro de convenções, data centers, escolas, hotéis, centros de distribuição etc.

Para que você entenda melhor o que mudou em relação à performance acústica e uso de materiais sustentáveis, nós preparamos este artigo. Continue com a gente e boa leitura!

Quais foram as principais mudanças da Certificação Leed 4.0?

Antes de falarmos especificamente sobre a parte acústica, vamos entender o que mudou na certificação Leed de forma geral.

Se você já conhece a certificação sabe que ela dá pontos para cada critério adotado na construção ou reforma. A nova versão olha para determinadas características e pontua as edificações na seguinte escala:

  • mudanças climáticas: 35%;
  • saúde: 20%;
  • recursos hídricos: 15%;
  • biodiversidade: 10%;
  • recursos naturais: 10%;
  • economia verde: 5%;
  • comunidade: 5%.

As principais mudanças foram a mudança na tipologia — de oito para quatro grandes grupos. Além de ajustes em algumas categorias.

Uso eficiente da água

Agora a pontuação para as edificações que reutilizam água da chuva aumentou. A medição do consumo da água também mudou e passa a ser obrigatório.

Espaços sustentáveis

Dá créditos aos projetos que estão sendo denominados como “terrenos de alta prioridade”. Esses terrenos são voltados para o desenvolvimento social, em detrimento da necessidade da região. A definição do que é importante vem dos planos diretores ou por meio de conjuntos de fatores sociais.

Nesse quesito surge uma nova categoria: localização e transporte. Ela dá pontos para projetos que facilitam a locomoção a pé e o acesso ao transporte público ou alternativos, como bicicletas.

Sinergia

Agora a certificação avalia e pontua os projetos com equipes responsáveis comprometidas com a idealização do projeto e que demonstram ter conhecimento desse processo integrado de concepção.

Energia e atmosfera

É a categoria que apresenta a principal mudança em eficiência energética que ficou mais restritiva que a versão anterior. Além de levar em conta o consumo da edificação, a certificação agora também considera se o que foi estipulado pela concessionária diante da escala urbana de consumo está sendo feito.

Materiais e recursos

As construções que usarem produtos que estão de acordo com a Declaração Ambiental de Produtos (DAPs) ganham novos créditos.

Outra mudança feita é o requerimento de informe de matéria-prima que agora inclui locais de extração e compromissos ambientais dos fornecedores — além da apresentação de um planejamento de gerenciamento de resíduos e o estímulo do reuso dos materiais.

O que muda na performance acústica de um ambiente?

Além das alterações no uso de produtos alinhados com DAPs e o reuso de materiais, a nova certificação trata as mudanças na performance acústica em cada grupo.

Na tipologia ID+C, que abrange os locais com atividades de varejo e interiores de lojas comerciais, foram incluídos novos créditos para performance acústica e adicionados novos requisitos, como o nível de ruído em ambientes fechados, privacidade na conversa e isolamento acústico, tempo de reverberação, entre outros. Todos alinhados com os padrões da ANSI e ASHRAE.

Já na tipologia B+C, foi criado um pré-requisito mínimo para conseguir a certificação em escolas. A nova versão exige um controle de ruído externo, exceto para construções localizadas em bairros já silenciosos. Ainda foi adicionado um caráter de exceção nessa categoria para edificações que são preservadas pelo patrimônio histórico.

Nesse grupo também aparece o novo crédito para performance acústica, como no ID+C, exceto para escolas, clínicas médicas e hospitais que possuem especificações voltadas para eles.

Como conseguir a Certificação Leed 4.0?

Para conseguir a certificação é preciso seguir todos esses padrões durante a construção ou reforma. O processo pode começar ainda na planta ou já pronto.

Os projetos são analisados de acordo com oito dimensões que possuem pré-requisitos obrigatórios e créditos que são as recomendações da organização. Existem vários níveis de certificação que são alcançados conforme os pontos que o projeto recebeu.

Os pontos vão de 40 a 110 que se traduzem nos níveis Certificado, Silver, Gold e Platinum. O processo de inscrição para a análise é feito online. O primeiro passo é escolher a tipologia do projeto dentro dos 4 grupos. Em seguida, as informações e os templates devem ser registradas no site da certificação. Após o seu envio, uma empresa auditora analisa o material e envia o aviso se estiver tudo certo.

É importante lembrar que não existem só a Certificação Leed 4.0 e outros selos verdes para as construções. Se você realmente se interessa pelo assunto, vale procurar também o selo Well, que é voltado para as construções que priorizam o bem-estar.

Além disso, é importante ficar de olho nos padrões que estão relacionados com os selos como a Declaração Ambiental de Produtos (DAPs). Não se esqueça também de ficar de olho nas certificações dos seus fornecedores, pois isso vai agregar valor ao seu projeto e evitar possíveis dores de cabeça mais tarde.

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