Como aliar ergonomia e acústica?

Como aliar ergonomia e acústica
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Atender a todas as necessidades do usuário, levando em consideração as normas de trabalho, a interação do homem com as máquinas e com o ambiente construído, são os focos de atenção de um bom projeto de ergonomia. Entenda como essa disciplina, casada com a acústica, pode incrementar a qualidade do ambiente projetado 

Texto: Gisele Cichinelli

De posse de um bom projeto de ergonomia, é possível identificar as relações que acontecerão dentro de um espaço, quer seja entre usuário e espaço, quer seja entre os próprios usuários. Dessa forma, é possível criar ambientes onde as atividades passem a ser mais fluidas e livres de empecilhos para o desempenho adequado do funcionário.

Os conceitos ergonômicos devem entrar como base de qualquer projeto de arquitetura, seja no dimensionamento dos móveis mais adequados ao usuário, seja na expectativa das sensações que o usuário terá no espaço em relação ao conforto térmico, lumínico e acústico.  “Com um bom projeto em mãos, com todos os aspectos técnicos abordados e com as soluções compatibilizadas, é possível garantir a qualidade do espaço com viabilidade econômica”, observa Cândida de Almeida Maciel, diretora comercial da Síntese Arquitetura e especialista em engenharia acústica de edifícios e ambiental. 

Estratégias do projeto de ergonomia

Os estudos adequados do mobiliário, do fluxo de pessoas e da dinâmica de trabalho, além da escolha correta de materiais, são estratégias fundamentais para o desenvolvimento de um projeto ergonômico.  

O projeto deve considerar quem é o usuário do espaço e quais são as atividades que acontecerão no local. “Sempre é necessário entender ‘o quê’, ‘para quê’, ‘para quem’ e ‘onde’ estamos projetando. Diante desse escopo podemos escolher quais materiais e produtos serão utilizados no espaço, mas não antes do completo entendimento desses pontos”, ressalta Roberta Smiderle, arquiteta e consultora acústica na Lasta Acústica e Arquitetura. 

Interação com a acústica

Quando um arquiteto inicia um projeto é fundamental que ele entre em contato com um escritório de acústica para que possa complementar as necessidades técnicas e harmonizar os projetos com a estética e a funcionalidade do ambiente.  

A interação entre os dois profissionais é importante. Cabe ao projetista acústico seguir as referências da arquitetura e tentar alinhá-las com os produtos que existem no mercado a fim de atender as necessidades técnicas conforme as normas vigentes. 

“O projeto ideal é aquele em que todas as equipes trabalham em conjunto. Há alguns anos já temos aplicado no Brasil o conceito de projeto BIM (Building Information Modeling) onde é possível o diálogo entre todas as especialidades de projeto a fim de chegar no melhor resultado, identificando possíveis problemas e conflitos entre as partes antes mesmo que se inicie a construção do empreendimento”, observa Roberta.

Para a arquiteta, o projeto de acústica, na grande maioria das vezes, é deixado para o final, quando tudo já está definido, o que implica em redução de possibilidades e perda da qualidade final. “Essa displicência acaba rompendo a conexão entre as partes que são fundamentais para que o espaço apresente ergonomia adequada também no que concerne o som e a percepção do usuário no espaço”, completa.   

Compatibilização entre os projetos

É muito importante que a ergonomia e a acústica estejam muito bem casadas evitando, dessa forma, problemas futuros ao usuário. Um ambiente acusticamente mal dimensionado pode gerar estresse e cansaço, bem como erros no projeto de ergonomia podem resultar em aumento no risco do desenvolvimento de lesões por esforços repetitivos. 

Vale lembrar que projetos corporativos, residenciais e industriais terão necessidades completamente diferentes e cada demanda deve ser cautelosamente analisada. “Em cada um desses espaços citados temos uma interação com o espaço arquitetônico distinto, quantidade, circulação de pessoas e equipamentos diferentes. Todos esses fatores implicam nas demandas normativas de acústica, no tratamento que deverá ser aplicado e onde ele será aplicado”, explica Roberta. 

Via de regra, todos os projetos devem seguir as normas vigentes. “Existe diferença para cada um desses projetos, mas é fundamental reforçar que tanto a acústica como a ergonomia são disciplinas exclusivas de projetos comerciais”, completa Cândida.   

O que levar em consideração nos projetos?  

– Verifique as necessidades de acústica em cada ambiente e se o projeto precisará de algum ambiente sigiloso

– Tente setorizar e evitar conflitos de áreas mais silenciosas com áreas mais ruidosas 

– Leve em consideração se há ambientes que precisarão de inteligibilidade para as adequações dos cálculos acústicos

– Conheça o usuário, quem é o público-alvo do projeto, suas características e costumes

– Entenda quais as necessidades envolvidas para o bom desempenho do espaço, a fim de que o usuário tenha a melhor experiência no espaço projetado

– Atente-se aos critérios e normativas já estabelecidos para cada um dos usos propostos, mas não generalize e não desconsidere cada usuário específico 

Colaboração técnica

Cândida de Almeida Maciel – diretora comercial da Síntese Arquitetura e especialista em engenharia acústica de edifícios e ambiental

Roberta Smiderle – arquiteta e consultora acústica na Lasta Acústica e Arquitetura

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