Como escolher o forro acústico do meu restaurante?

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Para tornar o ambiente interno de seu restaurante mais agradável e tranquilo, um dos requisitos mais importantes – e talvez um dos mais negligenciados, na maioria das vezes – é o projeto acústico. Nesse quesito, o forro tem um papel importante e pode influenciar diretamente a experiência auditiva dos clientes no estabelecimento.

Projetos de restaurantes novos e reformas necessitam de abordagens acústicas diferentes, por isso na ora de optar por um bom revestimento acústico, avaliar a função dos materiais usados, principalmente no forro e nas paredes é essencial.

Para ajudar você nessa tarefa, separamos alguns dos benefícios, funções e principais tipos de forros acústicos que podem ser utilizados em restaurantes. Não deixe de conferir!

Que fatores tornam o restaurante uma referência?

Restaurantes bons, que sejam referência em sua área, se destacam por diversos aspectos, entre eles, um serviço de excelência, variedade e qualidade dos alimentos. Um ambiente com música é capaz de tornar o local mais alegre, requintado ou caloroso para os frequentadores. Isso também contribui para gerar uma impressão positiva sobre o restaurante.

O conforto acústico contribui em muito para dar destaque ao restaurante, pois influencia diretamente na comodidade do ambiente, além do que, poucos locais se preocupam com o tema. O comportamento do som no ambiente pode ser intencionalmente projetado, criando um espaço mais tranquilo e acolhedor, inclusive para que as pessoas permaneçam mais tempo no lugar e, consequentemente, aumentem o consumo.

Por que é importante se preocupar com a acústica em restaurantes?

Existem diferentes motivos para responder a essa pergunta. Para começar, deve-se observar os diferentes tipos de estabelecimentos. Alguns trabalham com música – ao vivo ou reproduzidas por equipamentos – e precisam de um espaço em que o som se espalhe e chegue a todos os consumidores. Outros, não utilizam música e necessitam de um ambiente menos reverberante para minimizar ruídos de conversa, talheres e pratos, por exemplo.

Restaurantes em bairros residenciais, precisam se preocupar com o isolamento acústico, para que o som produzido dentro dele não incomode os vizinhos.

O nível sonoro interfere também no consumo e no tempo de permanência no ambiente. Se um restaurante é muito barulhento, tende-se a ficar nele por menos tempo, especialmente se o cliente busca uma refeição mais tranquila.

Quando a acústica é bem projetada em restaurantes o espaço se torna muito mais agradável e menos ruidoso. Portanto, as pessoas conseguem aproveitar o local de forma mais confortável.

Impacto dos sons no paladar

O som também é capaz de interferir no paladar: um ambiente ruidoso pode influenciar a capacidade de saborear e de sentir o aroma dos alimentos.

Um estudo da Universidade de Portsmouth, no Reino Unido, descobriu que música alta pode distorcer o sabor do álcool, tornando-o mais doce. O estudo também indicou alterações negativas de humor, quando alguns participantes foram expostos a dois sons simultaneamente: em uma das orelhas tocava música, e na outra, notícias eram narradas. Isso indica que um ambiente barulhento, com muita troca de informações, pode ser pouco convidativo.

Outra pesquisa, conduzida por Robin Dando e Kimberly Yan, da Cornell University, apontou que ruído elevado, neste caso em cabines de aviões, pode também distorcer o paladar em relação aos alimentos, suprimindo as percepções de doçura e realçando os sabores chamados umami.

Com isso, percebe-se claramente que a acústica influencia a relação do cliente com as bebidas e alimentos consumidos no local. Uma acústica adequada, proporciona ambientes mais propícios para conversas sociais. Neles, pode-se manter o tom de voz e a privacidade sem precisar de esforço para tentar ouvir o interlocutor.

Como o forro acústico deve ser implantado?

Durante o projeto, é preciso considerar a proposta do restaurante: se ele contará com música ao vivo ou com caixas de som, ou ainda, se não terá música. O público alvo e a finalidade do restaurante devem ser definidos: um restaurante aberto para almoço em uma região comercial é diferente de outro planejado para atender a eventos noturnos.

Definir o uso principal do estabelecimento é essencial para tratar acusticamente o ambiente de maneira adequada: dimensionar a geometria e selecionar materiais a serem utilizados no forro, nas paredes, janelas, etc. A seguir, veja alguns exemplos.

Uso do ambiente

Restaurante com música ao vivo ou ambiente

Restaurantes com música ao vivo ou ambiente são locais que precisam de maior atenção na parte acústica. É importante lembrar que antes de escolher o equipamento de som, é preciso pensar no tratamento acústico que o ambiente vai receber!

Nesses locais, normalmente, além da necessidade de o som ser tratado na parte interna, deve-se ter o cuidado para que ele não seja transmitido para fora do restaurante – especialmente se o estabelecimento estiver localizado em uma área residencial e funcione durante o período noturno.

Primeiramente, deve-se atentar para o isolamento sonoro dos elementos (teto, paredes, portas e janelas etc) que fazem divisa com o lado exterior. O isolamento acústico entre ambientes depende, em geral, da massa dos materiais utilizados, porém como alternativa, é possível utilizar sistemas compostos por materiais mais leves, como sistemas drywall preenchidos internamente com materiais porosos ou fibrosos.

Depois, deve-se trabalhar no condicionamento acústico, com elementos que controlem a reverberação e espalhem o som de forma adequada nos locais internos. O forro acústico é um elemento essencial nesse processo e deve ser projetado por um profissional especializado para garantir sua eficiência.

Em um ambiente com música, deve-se ainda ter cuidado com a quantidade de absorção inserida, para que o som não se torne “abafado” ou “sem vida”. Também é preciso cuidar para que o ambiente não seja muito refletor, prejudicando a inteligibilidade do som. Muitas vezes, não adianta aumentar o volume das caixas de som, para que todos escutem bem, pois é o excesso de reverberação que faz com que as palavras não sejam entendidas e não a falta de volume. Frequentemente encontramos locais em que a música é escutada em um volume muito alto, mas ainda sem nitidez. Por isso o projeto acústico é fundamental!

Restaurante sem música

O condicionamento acústico para restaurantes sem música também é importante. Afinal, ainda haverá ruído de conversas, movimentações de garçons, talheres e pratos etc. no local.

Nesse caso, o foco será conter a reverberação sonora, de modo que os revestimentos terão como principal objetivo a absorção do som e para isso, um forro acústico pode ser utilizado.

Estágio de construção

Restaurante novo

Se o seu restaurante está para ser construído, pode-se usar um forro contínuo, para esconder todas as instalações ou utilizar elementos suspensos, como baffles ou nuvens acústicas – dessa forma, não será preciso fechar um forro, caso se deseje um design urbano-industrial, usando apenas elementos de absorção sonora suspensos, localizados nos pontos nos quais haverá maior concentração de pessoas.

Restaurante construído

O ideal é tratar de acústica antes do estabelecimento estar construído, contudo, se o restaurante já foi inaugurado ou se já tem sua laje pronta, com um teto de gesso, pode-se utilizar placas acústicas que têm instalação fácil, bastando colá-las ao teto. Além de o processo ser rápido e elas serem limpas, o efeito acústico pode ser muito bom.

Quais os materiais usados para condicionamento acústico em restaurantes?

Existem vários tipos de forros acústicos no mercado, como:

·        placas de espuma acústica (são coladas ao teto);

·        fibras minerais à base de perlita, calcário, argila etc. Forros desse material oferecem conforto térmico e são mais sustentáveis e resistentes ao fogo. Também otimizam a iluminação do espaço interno do restaurante;

·        revestimentos de madeira (maciça, de compensado — MDF e MDP). Esse material contribui para um design mais aconchegante e requintado. No caso do compensado MDF revestido com melamina, a limpeza do material ainda é mais simples e fácil;

·        gesso acartonado. Esse material valoriza o ambiente, conta com isolamento térmico e tem manutenção fácil. As placas de gesso são colocadas em estruturas de metal, sendo possível embutir spots de lâmpadas nelas;

·        forro de lã de vidro (podem ser revestidos de lona);

·        forros metálicos (não são muito usados em restaurantes).

Além disso, é possível combinar os três primeiros materiais em módulos, colados em painéis verticais, como se fossem um pergolado. Isso é chamado de baffle.

Pode-se também montar as chamadas “nuvens acústicas”, feitas a partir de módulos de forro acústico cortados em formato retangular ou em quadrados menores. São coladas em pontos de maior concentração de pessoas, não sendo preciso cobrir a totalidade do teto.

Esses materiais auxiliam no controle da reflexão sonora do ambiente e, com isso, ajudam a minimizar ruídos como:

·        barulhos de refeições e bebidas;

·        sons de pratos e talheres batendo;

·        burburinho de conversas.

Para minimizar a reverberação, além de escolher forro acústico adequado, é importante que nos restaurantes sejam evitados objetos com superfícies polidas e lisas, como piso de porcelanato, teto de gesso (sem ser o revestimento acústico) e paredes de vidro. Essas superfícies refletem o som, de modo que ele fica ricocheteando pelo ambiente, reforçando-o ao invés de minimizá-lo. Isso faz com que as pessoas se obriguem a falar cada vez mais alto para manterem as conversas.

Ficou com alguma dúvida sobre como escolher o melhor forro acústico em seu restaurante? Entre em contato com nossa equipe de especialistas, para que possamos ajudar você!

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