Conforto Ambiental para escolas: qual seu impacto no ambiente escolar?

Nas discussões sobre o processo de ensino e aprendizagem, são vários os aspectos que influenciam a assimilação dos conteúdos por parte dos alunos. Em meio às questões pedagógicas, o fator conforto dos ambientes de ensino são muitas vezes negligenciados nas discussões. O conforto ambiental tem forte influência sobre o desempenho dos alunos e não deve ser deixado de lado na hora de planejar uma unidade de ensino.

No post de hoje, vamos falar das principais questões que esse tipo de construção deve observar e sua influência no dia a dia dos estudantes e profissionais que atuam nesses espaços.

Quer saber mais? Continue a leitura!

Por que o ambiente de ensino é importante?

Ambientes fechados, mal ventilados e com iluminação exclusivamente artificial podem ocasionar a chamada “síndrome do edifício doente“, que relaciona a causa e efeito das condições de um ambiente interno à agressão à da saúde dos ocupantes. Alguns sintomas incluem ardor e vermelhidão nos olhos, lacrimejamento, cansaço e dores de cabeça.

Essa síndrome ocorre em edifícios cuja circulação do ar não é adequada. É muito comum em shoppings e supermercados, podendo acontecer em escolas, caso o ambiente não tenha janelas que permitam a adequada renovação do ar e a iluminação natural. Isso, é claro, acaba afetando a capacidade cognitiva dos alunos, podendo baixar seu rendimento.

Além disso, a má iluminação e a falta de tratamento acústico nos edifícios também afeta a saúde, o bem-estar e o desempenho dos alunos. Uma iluminação inadequada pode levar a problemas de visão e a dores de cabeça. A falta de conforto acústico pode dificultar a concentração e o entendimento das informações passadas pelos professores, culminando em dificuldades de aprendizado.

De acordo com o relatório Better Places for Learning 2017, há uma melhora de cerca de 15% na produtividade do ensino quando o ambiente é pensado para esse fim. Os dados levam em conta pesquisas realizadas em escolas do Reino Unido, mas o mesmo raciocínio vale para nosso país.

O que deve constar em um bom projeto arquitetônico para escola?

O Brasil tem uma autoridade no tema dos projetos arquitetônicos para escolas. Doris Kowaltowski é professora da Universidade de Campinas (Unicamp) e autora do livro “Arquitetura Escolar — o projeto do ambiente de ensino”.

Ela defende que os projetos arquitetônicos das escolas devem ser individualizados, levando em consideração as condições do terreno e da localidade onde o prédio será construído, bem como as necessidades específicas da comunidade que vai habitar aquele espaço. Além disso, o livro de Kowaltowski e o relatório do Reino Unido apontam outros fatores fundamentais. Veja:

·        localização que permita acesso ao maior número de crianças possível, preferencialmente, sem a necessidade do uso de meios de transporte;

·        terreno localizado longe de grandes avenidas e rotas de aviões;

·        sistema de ventilação natural;

·        projeto o mais plano possível e com rampas para privilegiar a acessibilidade;

·        design interessante e cor nos espaços de aprendizagem, para estimular os alunos;

·        participação da comunidade (com exposição de trabalhos dos alunos, painéis que eles possam pintar etc.) para gerar sensação de pertencimento.

Em uma entrevista para o canal Unifesp TV, Kowaltowski também aponta a necessidade de ambientes que sejam mais dinâmicos. “[Precisamos] criar espaços que possam acomodar uma diversidade de atividades, em que o professor tenha um leque de possibilidades para diversificar as atividades pedagógicas. Isso requer um pouquinho mais do espaço do que uma sala tradicional, onde fica tudo sempre igual”, defende ela.

O que não pode faltar em um projeto?

Alguns requisitos são básicos para que o edifício escolar tenha um efeito positivo sobre o desempenho e a qualidade de vida dos estudantes. Veja algumas delas:

Boa iluminação

Escolas precisam ter janelas amplas para aproveitar ao máximo a iluminação natural. Além disso, ela deve ser suplementada com luz artificial, para a obtenção de um ambiente suficientemente claro. Isso facilita a leitura e a escrita.

Conforto térmico

O Brasil é um país de temperaturas mais altas. Por isso, não costuma haver uma preocupação muito grande com o conforto térmico dos edifícios. No entanto, o calor excessivo atrapalha o aprendizado e o desempenho dos alunos.

O ideal é que a escola tenha uma construção que privilegie a circulação do ar e que tenha também um sistema de controle de temperatura. Esse, aliás, é um dos requisitos para a obtenção do selo Well Living Standards de qualidade para construções.

Bom tratamento acústico

Salas típicas de ensino (com paredes planas e superfícies reflexivas), sem adequação acústica, se tornam locais difíceis para a aprendizagem. Sob esta ótica, uma sala de aula ideal deve apresentar baixo ruído residual e reverberação adequada

Um bom isolamento acústico a ruídos que venham do ambiente externo, como ruído de trânsito e da própria área de lazer da escola, é fundamental. Uma sala com pouca influência de ruídos exteriores, além de contribuir para diminuir o ruído residual interno, colabora para que os próprios alunos produzam menos barulho e conversas paralelas.

O Brasil tem por tradição a utilização de materiais rígidos — como o concreto — na construção das escolas. Tais superfícies, se não tratadas acusticamente, contribuem para tornar o ambiente mais reverberante, com pouca absorção. A reverberação sonora é um fator importante a ser considerado, pois muita reverberação dificulta a inteligibilidade e comunicação em um ambiente.

Para uma boa qualidade de ensino, os alunos precisam ouvir e compreender o que está sendo dito pelo professor. Sem que seja necessário grande esforço auditivo. Por isso, o tratamento acústico é indispensável.

Quais são os principais desafios?

Além das dificuldades habituais de qualquer projeto, o arquiteto que for elaborar uma escola enfrentará alguns desafios específicos. Primeiramente é necessário que haja uma mudança na maneira de se conceber o edifício. A maior parte das escolas é ainda construída priorizando o tempo e os custos da obra.

Será preciso conscientizar o responsável pela contratação do serviço — principalmente ao se tratar de uma entidade pública — sobre a importância de levar em consideração as necessidades específicas da comunidade que usará os espaços. O arquiteto também precisará orientá-los sobre essa relação entre a edificação e o desempenho dos alunos.

Outro desafio que a professora Kowaltowski aponta é a gestão das expectativas da comunidade. Uma vez que se veem envolvidas no processo de tomada de decisões sobre a escola, podem criar uma fantasia grande sobre o resultado final. E o que está na imaginação delas pode não ser a melhor escolha em termos de eficiência para o projeto.

Por fim, há uma terceira questão: conciliar os aspectos técnicos construtivos com o próprio projeto pedagógico de cada escola. Em alguns casos, o arquiteto precisará incluir uma horta. Em outros, uma piscina. Tudo depende dos valores de cada instituição.

Além dos alunos, é importante lembrar que professores e funcionários também passam boa parte de seus dias dentro da escola. Um ambiente saudável, adaptado para as necessidades de uso dessa comunidade, terá impacto positivo no trabalho e na qualidade de vida dessas pessoas. Por isso, um projeto arquitetônico para escola é um investimento no próprio desempenho da instituição.

Gostou?

Havendo interesse em conhecer critérios técnicos e boas práticas na elaboração do projeto acústico para escolas, acesse o recém lançado  “Proacústica um Manual para a Qualidade Acústica em Escolas”.

Se você gostou deste artigo, vai adorar receber a nossa newsletter com os conteúdos exclusivos que publicamos por lá. Assine grátis e tenha acesso a tudo diretamente em seu e-mail!

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *


Share This