Conheça os mitos e verdades sobre absorção acústica em restaurantes

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Entenda por que conforto acústico é fundamental para proporcionar uma experiência completa e satisfatória aos usuários destes espaços

Um restaurante não é apenas um local onde se alimenta, mas um espaço que promove uma experiência completa para os cinco sentidos de quem o frequenta. Além da boa comida e do bom serviço, o ambiente deve ser favorável à troca de ideias e boas conversas para os clientes, por isso garantir um bom condicionamento no projeto é essencial. Para os funcionários, essa garantia vai além do conforto: é uma questão de proteção à saúde.

Mas a criação de uma atmosfera prazerosa e saudável pode se tornar inviável no meio dos muitos ruídos provocados nesses locais. A mistura de vozes nas mais diversas frequências, o tilintar dos talheres, música ambiente e, dependendo do tipo de restaurante, do manuseio de bebidas no bar, são as principais fontes de barulho. 

“Este excesso de ruído cria um ciclo vicioso onde pessoas não se escutam e tendem a falar cada vez mais alto para se comunicar. Isso leva à exaustão pelo esforço de falar mais alto, à dispersão por escutar outras conversas e, como resultado, causa irritação que certamente tende a diminuir o período de estada no local. Para funcionários que trabalham nesta balbúrdia, a consequência é o cansaço excessivo”, explica o arquiteto André Vainer.

Mas, afinal, quais são as soluções eficazes e os resultados de adotá-las em restaurantes? A seguir, vamos explorar um pouco sobre os mitos e verdades envolvendo projetos dessa natureza:

Restaurante Dona Dêola | Sonex illtec Plano

Colocar espuma debaixo da mesa ajuda a inibir ruídos?

MITO

Para os especialistas consultados, esse é o pior dos mitos envolvendo acústica em restaurantes.  Muitos proprietários estão convictos de que forrando com espuma a parte inferior das mesas resolve-se o problema da acústica. “Este é o mais lamentável dos mitos e gera uma solução completamente inadequada e totalmente insalubre para o ambiente”, explica Vainer. A intervenção resulta em números insignificantes quando analisadas as reais necessidades do projeto acústico.

A boa acústica pode impactar no sucesso do negócio?

FATO

Quando pensamos em um local agradável, com certeza o condicionamento acústico é um ponto essencial para gerar esse pensamento, uma boa absorção de frequências extremas e da não reverberação de ruído, traz conforto aos usuários. Esse conforto, sem dúvida, está no topo da lista das melhores coisas que um restaurante pode oferecer, além, claro, da boa comida, boa bebida e do bom serviço.

“Se não fosse importante, o item ‘acústica’ não constaria junto de cifrões e estrelinhas de qualidade dos pratos. Eu, por exemplo, costumo não voltar em alguns estabelecimentos apenas por questões acústicas. E não tem nada a ver com ser profissional da área ou não. Estes locais ruidosos destroem a experiência”, relata José Augusto Nepomuceno, arquiteto, diretor da Acústica & Sônica no Brasil e diretor associado na Akustiks nos EUA.

As pessoas ficam mais tempo em restaurantes com boa acústica?

FATO

Certamente esse fator contribui, justamente pela sensação agradável criada a partir de boas soluções acústicas. Apesar de não existir dados sólidos para confirmar, a maioria das pessoas gostam de ambientes com atmosfera acolhedora. E o som é um elemento significativo neste quesito.  

 “Claro que cada restaurante tem um perfil próprio, assim como os clientes. Percebo que alguns gostam de um som de fundo, particularmente música, bem presente. Mas não conheço ninguém que goste de locais ruidosos”, revela Nepomuceno.

O ticket médio aumenta depois que um estabelecimento passa pelo tratamento acústico?

INCERTO

O ticket médio é um indicador de performance de vendas que aponta o valor gasto por um cliente durante sua permanência em um estabelecimento. Embora não haja estudos específicos, os especialistas consultados afirmam ser possível que esse índice seja melhor em restaurantes com boa acústica. “O tratamento acústico feito pelos proprietários de restaurantes é um claro sinal de respeito ao seu público”, enfatiza Vainer. 

Nepomuceno relata experiências pessoais que podem comprovar essa tese. “Ajudei alguns restaurantes em processos de melhoria das condições acústicas e o retorno que tive foi positivo. Os clientes perceberam e aprovaram a mudança”, lembra.

Efeito “festa de coquetel”

Além de se atentar aos mitos e verdades expostos acima, é importante que a preocupação com as boas condições acústicas nasça no projeto do restaurante. Quando o espaço é construído com materiais com baixos coeficientes de absorção sonora como piso em granito, teto em gesso e paredes de vidro, automaticamente se torna muito reverberante. Na prática, qualquer conversa será amplificada.

“Os sons produzidos por um grupo de pessoas conversando é amplificado e alcança outros grupos de pessoas interferindo na sua comunicação. Estes outros grupos tendem a falar mais alto para encobrir as vozes de fundo e, pronto, está feita a balbúrdia. Esse efeito é conhecido como ‘festa de coquetel”, em uma tradução simplificada de cocktail party effect”, explica Nepomuceno.

Outro ponto relevante é observar a proximidade das mesas, o número de pessoas que falará simultaneamente, e o esforço vocal das pessoas. Embora este último aspecto não esteja sob controle do projeto acústico, a boa notícia é que espaços mais silenciosos tendem a condicionar um comportamento mais comedido das pessoas. “Mas isto não é uma garantia”, ressalta o consultor.

Para Vainer, é recomendável contar com um consultor ou projetista de acústica durante a fase de projeto. O arquiteto lembra, no entanto, que apesar de o país contar com grandes profissionais da área, a contratação e implementação de boas soluções esbarram na questão do custo. 

“Somente proprietários de restaurantes com larga experiência em seus negócios dão a devida importância para este sistema e topam bancá-lo, porque sabem que vão oferecer um lugar confortável aos seus clientes”, observa.

E como diminuir os altos índices sonoros em restaurantes?

Alguns cuidados são fundamentais, entre eles:

  1. Distribua corretamente o material absorvente, particularmente no teto e em superfícies verticais. O piso em carpete pode parecer um fator importante para diminuição dos ruídos, mas pode ser um aspecto negativo para a limpeza, então invista em forros e revestimentos acústicos
  2. Pense em um layout que considere a distância entre as mesas e a sua capacidade
  3. Escolha materiais resistentes ao uso já que é um local com grande movimentação de pessoas e que, claro, atenda aos critérios recomendados de controle de fogo
  4. Escolha equipamentos menos ruidosos, equipamentos de ar condicionado, exaustores e outros previstos, escolha modelos mais silenciosos, para garantir funcionalidade e conforto em todos os aspectos.
  5. Pense na necessidade de isolamento acústico entre diferentes ambientes
  6. Evite usar pisos e paredes que utilizam materiais muito reflexivos e que causem reverberações

Quais materiais podem ser usados para esse fim?

O mercado oferece hoje uma linha extensa e diversa de produtos com este propósito. Também conta com excelentes profissionais consultores para auxiliar os projetistas neste quesito específico.  

“Particularmente gosto de forros sem emendas, como o OWAplan, da OWA Sonex porque eles são discretos. Réguas de madeira com lã mineral na parte superior também me agradam muito. Ambos trabalham diminuindo a energia sonora refletida na superfície do forro”, conta Nepomuceno.

OWAplan | Sushi Bar Suiça

Para paredes, as madeiras perfuradas e ranhuradas são uma solução adequada, como Nexacutic da OWA Sonex. Dependendo do local, painéis absorventes revestidos com tecido também podem ser utilizados, como os painéis Decoursound da Isover.

Colaboração técnica

André Vainer – Arquiteto do escritório André Vainer Arquitetos e Professor da Escola da Cidade. Andrée professor da Escola da Cidade.

José Augusto Nepomuceno – Arquiteto, diretor da Acústica & Sônica no Brasil e diretor associado na Akustiks nos EUA

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