Entenda a aplicação da norma NBR 15575 na arquitetura

A exigência do mercado de construção civil cresce cada vez mais.  Isso acontece por causa da quantidade de ofertas que foram disponibilizadas nos últimos anos versus a demanda. Portanto, a norma de desempenho começou a ser discutida por volta do ano 2000 para projetos residenciais, por iniciativa da Caixa Econômica Federal. Tudo isso com o objetivo de garantir a qualidade, durabilidade e habitabilidade dos projetos financiados.

Com a participação de vários segmentos da construção civil, a Comissão de Estudo de Desempenho de Edificações e o apoio do Sinduscon, a norma tomou corpo e, em 2007, foi disponibilizado a primeira edição da NBR 15575 para consulta pública e após algumas correções e aperfeiçoamentos, chegou-se à sua versão final, publicada em 2013, foi criada a nova Norma de Desempenho de Edificações -NBR 15575, no intuito de garantir a segurança e a qualidade de obras em prédios e condomínios residenciais.

A NBR 15575 regra reuniu várias normas já existentes e inclui novos parâmetros na foi uma das primeiras tentativa de estabelecer padrões de conforto e de qualidade nos seguintes sistemas de uma construção: estrutura, vedações, pisos, instalações e coberturas. Com isso, tanto construtores como consumidores saem ganhando, já que essa norma define os principais indicadores de desempenho e níveis de excelência

A NBR 15575 engloba várias etapas da construção, desde o projeto, desenho, quais materiais escolher até a gestão e manutenção do edifício depois de pronto. Portanto, nada mais natural que os arquitetos também conheçam a norma. Neste artigo vamos explicar o impacto da norma na arquitetura, como ela se aplica e como a tecnologia pode ajudar.

O impacto da NBR 15575 na arquitetura

Como já foi mencionado, basicamente a norma faz algumas exigências quanto ao desempenho, segurança, durabilidade, conforto e qualidade nas áreas dos sistemas de construção das edificações, como estrutura, vedações, pisos, instalações e coberturas.

Ela estabelece requisitos com um nível mínimo de desempenho para cada sistema. Conheça os principais:

  • Referente à durabilidade, podemos citar o Sistema Estrutural com VUP mínimo de 50 anos e os Sistemas de Fachada com vida útil mínima de 40 anos. Todos sistemas de uma parede devem aguentar, sem rachaduras ou falhas, até 180 joules;
  • Referente à segurança ao fogo da construção, as paredes que dividem as unidades habitacionais devem apresentar bloqueio de 120 min TRRF, por exemplo, além de exigir cuidados especiais para sistemas de coberturas em cômodos que abriguem equipamento de gás têm que ser resistentes ao fogo durante 30 min; entre outros quesitos;
  • Tubulações hidrossanitárias que não estiverem encobertas devem resistir até cinco vezes o seu peso;
  • A temperatura máxima no interior de recintos em que as pessoas ficam durante muito tempo (salas e dormitórios) deve ser igual ou menor que em um dia de verão, considerando o mínimo de desempenho;
  • As lajes, fachadas e paredes que dividem unidades habitacionais devem atender índices de isolamento mínimo para aumentar privacidade dos moradores e evitar incômodo do ruído externo. Esses cômodos também têm que ter proteção acústica e garantir um nível mínimo de 25 decibéis.

Os papéis de cada um

Portanto, a aplicação da norma também tem que ser prevista no projeto arquitetônico para garantir esses níveis os desempenhos desejáveis. O projeto deve atender o desempenho mínimo descrito em norma, ou
escolher sistemas com desempenho médio ou superior às informações categorizadas em níveis mínimo, intermediário ou superior, que vão indicar o desempenho desejado do sistema construtivo.

Outro ponto importante – e bom para quem vai adquirir o imóvel depois – são as indicações de vida útil da edificação com as previsões de manutenção. É uma boa forma de responsabilizar o construtor e os fornecedores, e trazer mais transparência para a relação com o consumidor.

E, por último, os projetos passam a ter que garantir o conforto térmico e iluminação adequada através de indicar a orientação solar, áreas de abertura, sombreamento nas janelas de dormitórios, entre outros requisitos informações. Isso dá a certeza para o futuro proprietário do imóvel do que ele está adquirindo.

Qualidade e excelência

Como você já pôde perceber, a norma estabelece parâmetros claros de qualidade e excelência. Mas qual é o papel de cada envolvido na construção? As responsabilidades são divididas entre quem projeta, quem constrói, os usuários e os fabricantes.

Como todos os responsáveis estão cientes da norma, cabe ao arquiteto conhecer os produtos e seu desempenho, à construtora construir conforme projeto e procedimentos normatizados, e ao fabricante, oferecer produtos de qualidade, testados e certificados. Se o produto é escolhido pelo arquiteto,
colocado em um local e se descobre depois que ele não atendia os níveis de qualidade, a responsabilidade é do fabricante.

Ao tirar esse peso das costas, o arquiteto pode se voltar para assuntos mais estratégicos e importantes do projeto.

A aplicação da norma

Essa é a parte que interessa a todos, não é mesmo? Como garantir que a construção está realmente no padrão estabelecido com tantos envolvidos respondendo por cada etapa? Como os futuros proprietários sabem que não estão levando gato por lebre?

Alguns testes são feitos diretamente em laboratórios, como os de isolamento acústico, vida útil, resistência ao fogo, entre outros. Outros, no local, como os das lajes que permanecem com um pouco de água na superfície durante um tempo determinado para a certificação de que não há vazamentos ou infiltrações.

As esquadrias passam pelo teste de sistema de vedação vertical e têm que apresentar a estanqueidade adequada. A edificação também tem que ser estanque com relação à iluminação externa, à água de chuva, à umidade do solo e ao lençol freático. Por fim, os banheiros e áreas descobertas também não
podem deixar surgir umidade.

Com testes objetivos, é mais fácil que os arquitetos, construtores e usuários certifiquem-se de que tudo está dentro da norma.

A ajuda da tecnologia

A tecnologia é ótima na otimização de processos e no aumento de produtividade. Então, por que não usá-la a seu favor? Alguns softwares já projetam em 3D. Um deles é o Revit  SketchUp, que utiliza metodologia BIM. Esse programa pode ser muito útil para os arquitetos no momento do desenho, na verificação de interferências entre as diversas instalações e para conferir o uso correto da norma.

A BIM tem ótima usabilidade e experiência do usuário. Permite que os profissionais antevejam qualquer problema que possa surgir durante a obra. Para o arquiteto, um software desse tipo pode garantir que as normas de desempenho e qualidade sejam cumpridas.

Quando a tecnologia não está ao seu alcance, o jeito é solicitar os serviços de empresas especializadas no assunto. Existem várias opções no mercado já com o desenho em 3D. É só comparar custo e benefício para adotar uma. Fique atento, pois algumas oferecem treinamento, e depende de você conhecer toda a sua usabilidade.

Importância do cumprimento das normas

Além de garantir o cumprimento das normas, com esse tipo de software você pode integrar vários profissionais envolvidos em um projeto colaborativo. Para o cliente também é mais vantajoso. Ele pode ver antes, de uma forma mais tangível, como a obra vai ficar depois de pronta.

Se todos agirem corretamente, o setor de construção civil só tem a ganhar. No entanto, se alguma norma for descumprida, os responsáveis podem ser acionados judicialmente. Sem contar que as normas foram feitas para que o cliente não corra nenhum risco.

Se você é arquiteto, já deu para perceber a importância da Norma de Desempenho de Edificações (NBR 15575). O ideal é que todos os envolvidos na construção estejam alinhados com os padrões. Se não, a dica é disseminar esse conhecimento para cada um que ainda tenha dúvida.

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