Entenda a importância de uma boa acústica para Hospitais

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Redução de ruídos em espaços de saúde é ação primordial para auxiliar no repouso dos pacientes e melhorar as condições de trabalho de médicos, enfermeiros e outros funcionários

Texto: Gisele Cichinelli

Fotos: Edson Ferreira

Mais do que qualquer outro lugar, hospitais precisam ser silenciosos e acolhedores. Quando um projeto acústico consegue reduzir os ruídos em seu interior, ajuda a promover a paz dos acompanhantes, a concentração da equipe médica e, mais importante, a recuperação do paciente.

Um dos produtos mais usados na construção para esse fim são os forros acústicos. Dentro dos hospitais, eles podem ser usados com sucesso em áreas de circulação, quartos, áreas de pronto-atendimento, enfermarias e, sobretudo, em UTIs, onde o número de equipamentos e o ruído de monitoramento causa maior incômodo.  

No entanto, para melhor eficiência, é fundamental que o produto apresente absorção sonora de 0,70 a 0,90. Outro detalhe muito importante são os critérios de assepsia e higiene: para esse tipo de aplicação, os forros acústicos devem atender a índices de pureza microbiológica e desinfecção conforme exigido por normas internacionais de segurança em hospitais e salas limpas.

Vantagens dos forros acústicos

De acordo com Vitor Dutra, engenheiro de desenvolvimento de produto da OWA Sonex Brasil, o forro acústico nas áreas de circulação reduz a reverberação do ruído, principalmente nos quartos, onde os pacientes precisam de silêncio para ter um sono de qualidade.

Já nas áreas de pronto-atendimento, onde o número de pessoas é maior, a aplicação do produto contribui para uma atmosfera mais tranquila e menos estressante, além de permitir melhor comunicação entre médicos, enfermeiros, pacientes e familiares. 

“A redução de ruído não é só benéfica para os pacientes, mas também promove um ambiente de trabalho adequado para a equipe que permanece no hospital durante o dia e nos plantões”, completa o engenheiro.

Por conta dos bons resultados, o forro acústico é um elemento recorrente nos projetos da RAF Arquitetura, escritório responsável pelos projetos arquitetônicos da Rede D’or. “Sempre utilizamos o produto, principalmente nos corredores, com a finalidade de absorver ruídos como conversas e passagem de carrinhos, e também em postos de enfermagem, onde a aglomeração da equipe assistencial é maior e sua concentração é essencial”, lembra Cynthia Kalichsztein, sócia-diretora do escritório.

Como os forros acústicos funcionam

Após a emissão inicial, os sons em um ambiente fechado são refletidos múltiplas vezes nas paredes, piso, forro e mobiliário. A energia sonora é atenuada em cada reflexão. No entanto, o grau desta atenuação depende essencialmente da capacidade do material de dissipar energia sonora. “Uma parede de concreto reflete praticamente o som com a mesma energia que incidiu, enquanto um painel de espuma absorve praticamente toda a energia incidente”, explica o arquiteto José Augusto Nepomuceno, consultor da Acústica & Sônica e Coordenador do GT de Salas Especiais da Proacústica.

Quando os sons refletidos nas superfícies não são dissipados de forma eficiente, eles continuam se propagando por um tempo relativamente longo. O resultado é que vários sons emitidos – uns próximos aos outros, como ocorre em uma conversa, por exemplo –, acabam se sobrepondo, deixando o ambiente muito desconfortável.

Os forros absorventes têm a capacidade de dissipar os sons refletidos nas áreas horizontais, tornando os ambientes muito mais confortáveis do que outros acabamentos de baixa absorção, como gesso ou concreto.

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Pontos fundamentais de um projeto acústico

Um grande desafio em projetos de acústica de hospitais é combinar com exatidão os materiais para piso, parede e forro de modo a garantir o conforto acústico nos diferentes ambientes da unidade hospitalar. “Quando trabalhamos com um piso duro, tipo a cerâmica, temos que nos atentar aos materiais das paredes e principalmente ao forro. Quando trabalhamos com pisos mais acústicos, podemos suavizar nas paredes e no forro”, afirma Cynthia Kalichsztein.

A arquiteta observa, ainda, que, em áreas com grande concentração de pessoas, como salas de espera e postos de enfermagem, o cuidado com a especificação de materiais tem que ser redobrado. O mesmo acontece com as áreas de conforto de médicos e de suas equipes, que devem ser acolhedoras e livres de ruídos.

Para promover a boa qualidade acústica dentro de um hospital, o projeto deve garantir os seguintes pontos:

  • Privacidade acústica entre apartamentos de pacientes e entre estes e os corredores de circulação
  • Conforto acústico nos apartamentos
  • Isolamento acústico dos apartamentos de internação e sons externos (sejam eles de tráfego ou de equipamentos)
  • Privacidade acústica entre consultórios e entre estes e as áreas adjacentes como recepções e circulações

Uso bem-sucedido

No Hospital Vivalle, em São José dos Campos, os forros acústicos foram utilizados nos corredores (áreas de trânsito de pessoas e de macas), nos postos de enfermagem e nas áreas com equipamentos de diagnóstico por imagem, grandes emissores de ruído. Nesse projeto, de autoria da RAF Arquitetura, o uso de placas de forro acústico nos corredores facilitou a manutenção das instalações que se concentram nesta área, devido à sua facilidade de remoção.

Fotos: Edson Ferreira

Com os forros acústicos, foi possível criar ambientes mais silenciosos e calmos para os pacientes e seus acompanhantes. “O forro garantiu que os barulhos do corredor, como os de salto alto, carrinhos passando e pessoas conversando, fossem absorvidos no próprio corredor e não adentrassem nos quartos”, conta Cynthia Kalichsztein.

Nas áreas de trabalho, principalmente nos postos de enfermagem, seu uso impediu a reverberação do ruído para outras áreas, proporcionando mais conforto e concentração aos usuários do local.

Oncologia humanizada

Fotos: Edson Ferreira

Outro projeto de referência no uso de soluções acústicas para hospitais foi a ampliação da área de oncologia do Hospital e Maternidade São Luiz, do Itaim, na capital Paulista, também da RAF Arquitetura. Nele, foi usado o forro mineral Humancare 1250 x 625 mm – material com véu com ação biocida, que atende rigorosas normas hospitalares e de salas limpas, como a NFS 90-351 e ISO 14644, apresentando classe M1 de desinfecção hospitalar e classe CP 5 de descontaminação cinética e para salas limpas, atende à Classe ISO 5. Sendo assim, o produto pode ser aplicado em áreas de risco 1, 2, 3 e 4, ou seja, em áreas de atendimento, circulação, quartos, áreas de recuperação e até centros cirúrgicos.

“Neste tipo de projeto, assepsia é fundamental, bem como o conforto e o acolhimento. Usamos os forros da OWA Sonex, pois além da qualidade técnica fantástica, o produto possui uma variedade de modelos e cores que nos ajuda muito na hora de projetar. Nas áreas de atendimento do hospital, os forros trouxeram o toque de sofisticação e a acústica ficou perfeita”, lembra Cynthia.

Colaboração técnica

Vitor Dutra – Engenheiro de desenvolvimento de produto da OWA Sonex Brasil

Cynthia Kalichsztein – sócia-diretora da RAF Arquitetura

José Augusto Nepomuceno – arquiteto, consultor da Acústica & Sônica e Coordenador do GT de Salas Especiais da Proacústica

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