Entenda por que o projeto acústico pode impactar no rendimento escolar

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Nuvens Sonex illtec da OWA Sonex no projeto da Escola Estadual Caramurú
Foto: Carlos Kipnis

Uma escola com menos ruídos consegue proporcionar ambientes mais calmos e acolhedores, melhorar a concentração dos alunos e até o desempenho dos professores

Texto: Gisele Cichinelli

Atividades realizadas no pátio durante os intervalos, nas aulas de educação física, no playground e o burburinho das salas de aula e das áreas de circulação figuram entre as principais fontes de ruído em ambientes escolares. Na maioria das vezes, esses ruídos se sobrepõem e, dependendo do nível, podem afetar, e muito, a qualidade da atenção e o aprendizado dos alunos.

“Nas salas de aula o ruído interno é gerado pelos próprios alunos. Soma-se a ele o ruído exterior proveniente das áreas de circulação e pátios que, dependendo do projeto da edificação, podem interferir nos ambientes de aprendizado como salas de aula, laboratórios e centros de leitura. Os ruídos urbanos de tráfego, em alguns casos, também são impactantes”, explica o arquiteto Ricardo Grisolia Esteves, gerente de inovação e tecnologias para a edificação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Para reduzir essas interferências, é preciso seguir à risca as normas técnicas e as recomendações dos especialistas em acústica. Cada ambiente dentro da escola deve ser projetado para ter a capacidade de atenuação dos ruídos ali produzidos, de forma que não interfiram nas demais atividades realizadas.

Cada ambiente, uma necessidade

O projeto de acústica em escolas geralmente é bastante complexo, já que cada ambiente requer um nível acústico diferenciado. Um refeitório escolar, por exemplo, não tem os mesmos níveis de exigência em termos de atenuação de um centro de leitura. “São atividades com exigência e graus de concentração completamente diferentes”, observa Esteves.

O arquiteto Alberto Faria, diretor do escritório Alberto Faria Arquiteto, ressalta que o importante é oferecer conforto para todos os ambientes, sejam bibliotecas, salas de aula, laboratórios ou auditórios, todos devem contar com o desenvolvimento de projetos e soluções acústicas específicas. “Nesses espaços, garantir a qualidade acústica é de grande importância”, reforça Faria.

As salas de música também são áreas que demandam tratamento acústico diferenciado, pois as atividades que se desenvolvem ali podem interferir diretamente no desempenho dos alunos em salas vizinhas.

Como tratar acusticamente as salas de aula?

Toda a estrutura da escola, desde a implantação dos edifícios, pátios e quadras esportivas até as salas de aula, é muito importante para garantir a qualidade da instituição. Portanto, ainda na sua concepção, o projeto deve prever a localização correta dessas áreas para o planejamento do que será usado para melhorar os ambientes.

A utilização de materiais adequados, tais como piso, forros acústicos e painéis e placas fonoabsorventes, também é um pré-requisito para proporcionar a qualidade sonora das salas de aula. Em geral, nesses ambientes, são usados forros minerais absorventes, capazes de atenuar os ruídos gerados internamente. Os fechamentos e divisões entre as salas também devem contar com tratamento acústico.

Esteves acrescenta que há diversas soluções acústicas possíveis para as salas de aula. “A composição de diferentes produtos leva às soluções mais adequadas. O forro fixado à laje aparentemente é uma forma de aplicação dos sistemas que menos causa impacto nesses ambientes de uso intenso”. 

Desafios do projeto acústico em escolas

Minimizar os impactos dos ruídos nas atividades dos alunos em diversos ambientes e horários é um dos pontos altos do projeto de acústica em escolas.  

Os projetos de novas escolas geralmente são contratados com assessoria de engenheiros acústicos. Porém, há uma enorme quantidade de prédios existentes que não recebeu o mesmo tratamento. “O maior desafio nesse tipo de projeto é definir soluções eficazes, replicáveis e também simples e baratas”, observa Esteves.

Vale observar que o custo dos tratamentos acústicos impacta o orçamento do projeto e da construção escolar. Além disso, a resistência física dos produtos acústicos pode ser um problema técnico a ser enfrentado. “Em algumas escolas há um alto índice de depredação dos elementos arquitetônicos ou desgaste acentuado em função do número de usuários”, lembra Esteves.

Cases de sucesso

Intervenção piloto

No projeto da Escola Estadual Caramurú, localizada na Vila Formosa, na capital paulista, o ponto alto fica por conta da sala de inovação. Projetado em caráter experimental, esse ambiente deveria agregar diversas atividades e equipamentos. Além de um estúdio fotográfico e de um centro de robótica, a sala conta com projetores interativos, área de relaxamento e espaços dinâmicos direcionados para atividades que podem acontecer simultaneamente.

Um dos desafios do projeto era desenvolver um espaço no qual os grupos de trabalho não causassem interferências no grupo vizinho. Para atingir esse objetivo, foram utilizados nuvens Sonex illtec da OWA Sonex, distribuídos uniformemente em pendurais distantes da laje em, aproximadamente, 50 mm. Outros elementos como cortinas e biombos foram concebidos para absorção e controle acústico do espaço. O piso vinílico em manta também contribui para a absorção do som.

Espaço integrativo e multidisciplinar

Um espaço que permitisse diversos usos e layouts, com mobiliário adaptável para atender as inúmeras atividades que podem acontecer em um mesmo dia. Esse era o programa de necessidades da Oficina de Projetos da Escola Vera Cruz, na Vila Leopoldina, em São Paulo.

Nesse espaço, a acústica não poderia ser uma ciência exata, já que o nível de ruído poderia variar de uma aula experimental a uma aula expositiva. “Recebemos um espaço onde o piso era cimentado e não receberia outro revestimento pela praticidade nos diversos usos. Duas das quatro paredes eram janelas de vidro, a laje pré-moldada ficaria aparente e não queríamos utilizar forros convencionais. Sabíamos, intuitivamente, que não teríamos um bom desempenho acústico”, relembra a arquiteta e autora do projeto Fernanda Jozsef, do escritório Andre Vainer Arquitetos.

A opção para vencer essas limitações foi usar as nuvens acústicas Sonex illtec da OWA Sonex, compostas de 28 peças na cor branca e com modulação de 1800x1200x50mm. Com essa solução, foi possível evitar cobrir toda a área da sala, conferindo maior liberdade para trabalhar com a elétrica, a iluminação, o ar-condicionado e os ventiladores. “Esses elementos ficaram soltos e independentes uns dos outros, possibilitando a mudança de layout de acordo com a necessidade de cada atividade”, conta a arquiteta. A solução gerou maior audibilidade e inteligibilidade, além de tornar o ambiente mais confortável permitindo uma melhor experiência de aprendizagem aos alunos.

Colaboração técnica

Ricardo Grisolia Esteves – gerente de inovação e tecnologias para a edificação da Fundação para o Desenvolvimento da Educação (FDE).

Alberto Faria – diretor do escritório Alberto Faria Arquiteto.

Fernanda Jozsef – arquiteta do escritório Andre Vainer Arquitetos

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