O que é a reverberação do som e qual seu impacto na arquitetura?

Nos dias atuais, com espaços cada vez mais compartilhados e construções em áreas reduzidas, problemas com a acústica dos ambientes têm se tornado frequentes, causando transtorno aos usuários de edificações que não consideraram sua finalidade no momento do projeto e execução da obra.

A reverberação é um dos principais efeitos que influenciam a experiência auditiva dentro de um local. Quando não controlada, pode prejudicar a comunicação e causar desconforto às pessoas no ambiente.

O projeto arquitetônico não deve se ater apenas a questões estéticas. O trabalho do profissional dessa área deve ser pensado com o objetivo de conceber um ambiente que possa ser utilizado de maneira a trazer bem-estar aos seus usuários. Por isso, um bom projeto, deve considerar, além do espaço físico, fatores variáveis, como calor, luz e som.

As características do local devem ser cuidadosamente estudadas para que se possa indicar no projeto os materiais adequados para que aquele determinado espaço físico atenda à sua finalidade.

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O que é reverberação?

O som ao se propagar em um ambiente é refletido em suas diversas superfícies (paredes, portas, janelas etc) permanecendo no local até que não possua mais energia. O fenômeno acústico causado por essas reflexões combinadas que mantém o som no recinto é conhecido reverberação. Tal efeito causa uma continuação sonora mesmo após terminada sua emissão.

Outro fenômeno que pode acontecer devido à reflexão do som é o eco. A principal diferença entre ele e a reverberação é o tempo que o som leva até ser refletido e retornar a quem ouve. Enquanto na reverberação o som é percebido como prolongamento ou continuidade, como se a emissão não tivesse terminado, no eco, a percepção é de novas emissões sonoras, ou seja, repetição da emissão.

A reverberação em um ambiente pode dificultar o entendimento do som, pois, as reflexões prolongadas, acabam por se sobrepor a novas emissões do som original. Em alguns casos, a reverberação pode ser útil. Por exemplo, em ambientes musicais, para dar efeito, de forma natural, à voz e aos instrumentos.

Considerando essas informações, o arquiteto deve ouvir atentamente o cliente para entender qual é sua necessidade naquele ambiente para o qual deseja o projeto. Com isso, o profissional poderá determinar as soluções e materiais a serem empregados no ambiente para controlar os efeitos sonoros.

Isolamento X tratamento acústico

Frequentemente os termos isolamento acústico e condicionamento acústico são confundidos, entretanto profissionais da arquitetura devem saber distinguir esses conceitos com clareza.

O isolamento acústico consiste, basicamente, na vedação do local, impossibilitando a passagem do som entre os ambientes. O tratamento acústico, por sua vez, diz respeito ao condicionamento do som dentro de recinto a fim de tornar o espaço adequado à sua finalidade e proporcionar uma experiência auditiva agradável aos usuários.

Assim, para evitar problemas com a reverberação, o arquiteto precisa considerar o condicionamento acústico do ambiente em seu projeto.

Sabendo da importância de conhecer a reverberação e suas implicações, elencamos alguns pontos que o arquiteto deve observar e aplicar no projeto arquitetônico para um tratamento acústico eficiente:

1. O ambiente

O primeiro passo é considerar se o ambiente será criado do zero ou se já existe e precisa ser reformado. Caso ele precise de reformas, o profissional deve se adequar a estrutura existente, podendo trabalhar com revestimentos acústicos. Caso seja uma obra nova, o arquiteto pode projetar a estrutura do local já utilizando a própria geometria da sala a seu favor de forma que atenda previamente às necessidades acústicas da sala, diminuindo, assim, a necessidade de aplicar outros tipos de soluções e materiais acústicos.

2. Os pisos

O revestimento de pisos costuma ser preterido quanto aos demais revestimentos do ambiente, entretanto, superfícies lisas e retas reforçam fenômenos como a reverberação. Por isso é recomendado que sejam aplicados revestimentos que propiciem uma melhor absorção do som. Tapetes também podem ser utilizados para essa função.

3. O revestimento das paredes

Cada material tem suas características quanto à reflexão do som produzido. Assim, as paredes podem ser revestidas com material adequado, de forma a minimizar a reflexão do som e, desse modo, reduzir o tempo de reverberação.

Assim, é essencial contar com um sistema de tratamento acústico e materiais nas paredes que garantam a propagação do sonora com a qualidade acústica adequada à finalidade do espaço.

4. Janelas e portas

Como vimos, alguns projetos de arquitetura são apenas para reforma e melhoria da acústica no local. Assim, deve-se realizá-los tendo em vista que, muitas vezes, não será possível alterar a estrutura do local ou sua posição. Bem como o material de janelas e portas, por exemplo.

Se for esse o caso, o arquiteto poderá investir em cortinas para cobrir áreas mais reflexivas, como vidros. Dê preferência a materiais mais espessos, como o veludo.

5. Forros e nuvens

Os materiais tipicamente empregados para absorver o som e, assim, minimizar os efeitos da reverberação são materiais leves. A devida aplicação desses materiais em forros únicos ou nuvens no teto busca proporcionar maior conforto acústico aos usuários.

Além do desempenho acústico, para saber qual dos dois tipos escolher, o arquiteto deve avaliar variáveis como a altura do pé-direito do local, cuidando para não causar desconforto ou sensação de claustrofobia.

Precauções a serem tomadas nas decisões do projeto

O arquiteto pode investir em parcerias de fornecedores confiáveis, que ofereçam produtos com qualidade, garantia e preocupação com o meio ambiente, agregando valor ao seu projeto.

O profissional deve ter boas indicações, com preço justo. Pois, mesmo um bom projeto, se executado com matéria-prima de má qualidade, será em ineficiente. A pesquisa de preços é importante, mas optar pelo mais barato nem sempre é o melhor. O custo do tempo perdido e o gasto extra em refazer a obra é maior. Assim, é importante despertar a atenção do cliente para o “barato que sai caro”.

A reverberação do som, por estar diretamente ligada a qualidade sonora e a experiência auditiva das pessoas nos ambientes, tem grande impacto na arquitetura. Portanto, a ausência de um projeto e tratamento acústico de um local pode ser bastante prejudicial aos usuários, causando desconforto e estresse.

E aí, leitor! Percebeu a importância de conceitos teóricos como o da reverberação do som e sua aplicação em projetos arquitetônicos? Está pronto para usar os principais pontos deste artigo nos seus trabalhos?

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