Quais as vantagens de utilizar forros de madeira? Entenda

Teatro Riachuelo em Natal (RN) – Nepomuceno
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Estética, durabilidade, bom desempenho acústico e térmico são os principais atrativos dessa solução, que pode ser usada em auditórios, escolas, edificações corporativas e residências

Texto: Gisele Cichinelli

Seja pela estética ou por suas vantagens técnicas, a madeira é um dos materiais preferidos entre arquitetos, projetistas e clientes. Além da beleza e das suas qualidades acústicas, a sensação de conforto e bem-estar está sempre associada a ela.

“No senso comum a madeira é um material que tem uma ligação muito forte com qualidade acústica e este é um assunto complexo tratado na psicoacústica. Em complemento, muitas pessoas associam acabamentos em madeira com acolhimento. Daí é um passo para a madeira ser um dos materiais mais indicados em locais de escuta sensível, como auditórios, estúdios de gravação ou salas de ensaio”, conta José Augusto Nepomuceno, arquiteto, consultor da Acústica & Sônica e coordenador do GT de Salas Especiais da ProAcústica.

PRESENÇA EM PROJETOS MARCANTES

De acordo com o arquiteto, essas características foram fundamentais para que os painéis de madeira frisada e perfurada fossem usados na Praça das Artes, um projeto de grande porte, especialmente concebido para abrigar em um único conjunto todas as unidades vinculadas ao Teatro Municipal de São Paulo (corpos artísticos, escolas, museus e administração). Os painéis com sistema de encaixes macho-fêmea foram aplicados nas paredes das salas de ensaios de música e dança.

Os mesmos painéis com diferentes padrões de frisos e perfurações, foram aplicados no Teatro Bradesco, no Rio de Janeiro, e no Teatro Riachuelo, em Natal, tanto nas paredes quanto em peças de forro. O resultado foi uma solução muito elegante, integrada à arquitetura e com qualidade acústica atestada tanto pelos operadores dos espaços e pelos engenheiros de som, quanto pelos artistas e produtores.  

“Temos especificado os forros de madeira em auditórios, salas de ensaios e espaços de escuta sensível de uma forma geral. Em edificações corporativas usamos o produto em lobbies. Forros de madeira perfurada podem ser também uma solução muito interessante para escritórios panorâmicos ou escolas”, revela Nepomuceno.

Além desses projetos, os forros de madeira podem ser usados em hotéis, residências, templos religiosos e escolas.

Teatro Riachuelo em Natal (RN)
Projeto Acústico: Nepomuceno
Produto: Nexacustic
Foto: Fotógrafo Nelson Kon

TIPOS E FORMATOS

Esses forros podem ser fabricados com diversos tipos de madeira. Para uso residencial, em geral, são fabricados com madeiras do tipo pinus, cedro, perobinha, cumaru, jatobá e ipê.

Para projetos corporativos, comerciais ou espaços culturais, uma forma mais sustentável de madeira tem sido muito utilizada, o MDF (Medium Density Fiberboard ou chapa de madeira de média densidade). O MDF pode ser revestido em melamina com vários padrões amadeirados ou com a folha de madeira natural. Diferentes efeitos de reflexão e absorção sonora são obtidos com as opções com superfície lisa, frisada, perfurada ou ranhurada. Outro grande benefício do MDF é que permite a adição de resina antichama no processo produtivo, tornando-o mais seguro ao fogo, com Classificação II-A. Estes painéis MDF ignífugo Classe II-A apresentam a massa avermelhada, facilmente identificada em obra ou no processo produtivo, uma segurança para quem está construindo.

 “Em geral se usa o MDF, que pode receber laminação em diversos padrões, ou mesmo em madeira natural. Mas é sempre importante observar a classificação de reação ao fogo dos painéis pela IT-10 – Controle de Materiais de Acabamento e Revestimento do Corpo de Bombeiros, que avalia o comportamento dos materiais em caso de incêndio”, observa Marcos Holtz, sócio-diretor da Harmonia Acústica. Os paineis produzidos em MDF Ignifugo, que já é produzido com resina anti-chama em sua massa, são considerados Classe II-A pela IT-10 e não têm restrições de uso.

Outra vantagem dos forros de madeira é sua diversidade de formatos. Quando feitos sob encomenda, podem assumir praticamente qualquer desenho, além das modulações em formatos padrão de 62,5 cm x 62,5 cm (no caso dos forros modulares), nas dimensões 16 cm x 243 cm (no caso das réguas) ou nas dimensões de 120 cm x 60 cm ou 240cm x 40cm (no caso de painéis para as paredes).

CUIDADOS

Um dos principais cuidados na hora de especificar o produto é checar a porcentagem da área perfurada. Perfurações acima de 20% são desejáveis.

Os ensaios acústicos devem ser solicitados para verificação desta absorção sonora. Devem seguir as indicações da ISO 10140 e fornecer o indicador alpha w. Além disso, é necessário observar como os ensaios foram feitos, verificando qual material absorvente foi usado por trás da placa de madeira e qual a espessura de plenum.

De acordo com Holtz, a madeira por si só não é um material fonoabsorvente. Em geral, as placas de madeira são perfuradas, microperfuradas ou ranhuradas, permitindo assim que se apliquem materiais fonoabsorventes por trás, como lãs minerais. “Comparados a forros modulares, os de madeira são mais pesados, o que requer um sistema específico de instalação. Atenção especial aos critérios de segurança ao fogo é necessária antes de especificá-los”, completa.

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Colaboração técnica

José Augusto Nepomuceno – arquiteto, consultor da Acústica & Sônica e coordenador do GT de Salas Especiais da ProAcústica.

Marcos Holtz – sócio-diretor da Harmonia Acústica.

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