Saiba como preservar a qualidade acústica em praças de alimentação

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Criar uma área aberta e convidativa, mas ao mesmo tempo silenciosa e preservada, é o principal desafio de projetos de praças de alimentação. Confira a seguir alguns cuidados fundamentais

Quem frequenta praças de alimentação sabe que a sobreposição dos diversos ruídos gerados nesse espaço é capaz de causar grande desconforto. Conversas se misturam a outros barulhos como o deslocamento de cadeiras, limpeza de louças, músicas, entre outros sons.

Quando o ruído de fundo está muito alto, ele provoca a perda da inteligibilidade da palavra – capacidade de um ouvinte entender o que diz o seu interlocutor – atrapalhando significativamente a experiência do usuário no local.

Para os funcionários de uma praça de alimentação, o incômodo pode ser ainda maior justamente por eles permanecerem por períodos prolongados naquele espaço. Não é incomum que eles sofram de estresse no ambiente de trabalho, inclusive processos trabalhistas, são movidos por este motivo. “A NBR 15, que trata de insalubridade no meio de trabalho, diz que para que uma jornada de oito horas seja realizada de maneira saudável, o ruído de fundo não pode ultrapassar 85dB(A)”, afirma o arquiteto e projetista acústico Luciano Nabinger.

A importância do projeto

Foto: Lipe Borges

Realizar um bom projeto de acústica, de preferência com um projetista experiente e que tenha recursos adequados para cálculo de raios sonoros e equipamentos de medição acústica dentro das normas técnicas, é o primeiro item da lista de boas práticas.

O ideal, segundo Nabinger, é que o projeto acústico corra em paralelo com o projeto arquitetônico. “O custo do projeto é irrisório em relação a um erro que pode acarretar custos adicionais à obra”, ressalta.

Entre as dicas que ele dá, está a importância de enclausurar as cozinhas das praças de alimentação (devido ao ruído gerado por equipamentos como coifas e fornos), diminuir o ruído de impacto do mobiliário e especificar boas soluções dentro de um custo razoável para o investidor.

Segmentação e uso de materiais adequados

Segundo a arquiteta Rafaela Macedo, diretora de projetos no escritório Indio da Costa AUDT, uma das estratégias que podem ser usadas para aumentar a qualidade sonora desses locais é criar microambientes segmentados, sobretudo em grandes praças com muitos assentos. Isso possibilita a variação de soluções em mobiliário, revestimentos, iluminação e paisagismo.

O uso de materiais de absorção acústica de ruídos aéreo e de impacto em forros, pisos e paredes também é essencial neste tipo de projeto. Eles absorvem o som, impedindo que ele retorne à fonte sonora e amplifique ainda mais o ruído da fonte original.

“Normalmente, trabalhamos em três áreas: forros, planos verticais e mobiliário. Esses elementos ganham materiais que podem absorver a conversa e o ruído de louças e talheres”, complementa Rafaela. Ela explica que os forros acústicos podem absorver o som geral do ambiente, enquanto os painéis verticais ou o mobiliário alto absorvem a conversa das pessoas que estão sentadas. O uso excessivo de vidros ou espelhos deve ser evitado, já que esses materiais reverberam os sons.

Oásis sonoro

No Espaço Gastronomia, no Shopping Leblon (RJ), projetado por Indio da Costa AUDT, foram usados forro mineral Bolero e o painéis Nexacustic, da Owa Sonex  | Foto: Lipe Borges

Criar uma área aberta e ao mesmo tempo tranquila e silenciosa era a intenção do projeto Espaço Gastronomia, no Shopping Leblon, Rio de Janeiro. Para isso, seria necessário retirar totalmente o ruído de limpeza de louças e talheres. O escritório Indio da Costa AUDT, responsável pelo projeto, desenvolveu uma sala fechada especialmente projetada para essa atividade, além de criar alguns elementos para a absorção do som dos usuários.

Neste projeto, foram usados dois tipos diferentes de forros acústicos: o forro mineral Bolero com perfil semi oculto e os painéis Nexacustic 32 Ignífugo com lã de vidro, o mesmo produtofoi colocado com lã de rocha na altura de 1,50 m em parte das divisórias com o intuito de absorver diretamente o som produzido pelas conversas. Todos os tampos das mesas foram revestidos com carpetes na parte inferior.

 “Hoje, a praça é reconhecida como um local tranquilo e silencioso e continua aberta e muito integrada ao mall”, conta a arquiteta Rafaela Macedo.  

Colaboração técnica

Luciano Nabinger – arquiteto e projetista acústico

Rafaela Macedo – diretora de projetos do núcleo Experiência de Marca do escritório Indio da Costa AUDT

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