Seis passos para especificar corretamente soluções acústicas em escritórios

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Na hora de indicar os melhores produtos e soluções, o profissional deve estar atento ao programa de uso e à arquitetura. Entenda!

Texto: Gisele Cichinelli

Os layouts dos escritórios passaram por grandes mudanças nos últimos tempos, tanto nas estações de trabalho quanto nos grandes ambientes abertos e flexíveis. Hoje, por exemplo, não é mais comum pensar em biombos para separar espaços.

Essas mudanças impactaram significativamente as soluções acústicas empregadas nos projetos corporativos. As mais modernas deixam a estrutura aparente e envolvem nuvens e baffles suspensos, em materiais diversos, como illtec e madeira, fazendo dos produtos acústicos um diferencial no design do projeto.

As opções de materiais, formatos e cores desses produtos aumentaram exponencialmente, então a escolha dependerá, entre outros fatores, da arquitetura, das intenções do cliente e do orçamento disponível.

A seguir, confira seis passos fundamentais para alcançar a qualidade acústica nesses ambientes.

1 – Reconheça as principais fontes de ruído nestes ambientes

O primeiro passo para não errar na hora de especificar forros acústicos e materiais complementares em projetos corporativos é estar atento aos principais ruídos e seus impactos nos usuários desses ambientes.

Os ruídos provenientes da fala (conversação presencial, conversação remota por telefone ou videoconferência, por exemplo), circulação de pessoas, manuseio de objetos e equipamentos são comuns no dia a dia de um escritório. Somam-se a eles os barulhos das instalações prediais como os do ar-condicionado, da elétrica e da hidráulica, além do tráfego externo.

“Acredito que o grande impacto desses ruídos é gerar distração, quebra na concentração e, consequentemente, cansaço nos usuários desses ambientes.”, comenta José Augusto Nepomuceno, consultor principal da A&S em São Paulo e diretor associado da Akustiks nos EUA.

2 – Foque nas estratégias corretas para garantir qualidade acústica aos ambientes

Na hora de desenvolver um projeto acústico para um ambiente corporativo, alguns fatores devem ser levados em conta. De acordo com o engenheiro Rafael Schmitt, sócio-diretor da Scala Acústica, é fundamental analisar cada recinto com sua respectiva sensibilidade e funcionalidade, de acordo com o programa de necessidades e layout do projeto.

“Depois devem ser selecionados os critérios acústicos normativos ou recomendações de boas práticas por tipo de ambiente, como NC (Critério de Ruído), NR (Redução de Ruído), Rw (Índice de Redução Sonora), Lnw (Nível de Pressão Sonora de Impacto), STI (Índice de Transmissão da Fala) e RT (Tempo de Reverberação). Eles são responsáveis por indicar os parâmetros de conforto, privacidade e inteligibilidade em geral”, explica o engenheiro.  

Esses parâmetros estão de acordo com a norma NBR 10.152, que determina o nível máximo de ruído em diversos ambientes, de acordo com a atividade de cada escritório. Com base neles, são indicadas opções de materiais (que passarão por cálculos e simulações dos critérios acústicos). Dessa forma, será possível verificar os resultados e escolher a solução que melhor se encaixar na estética e valores recomendados.

3 – Conheça os tipos de forros e produtos indicados para projetos corporativos

Forros e revestimentos acústicos são importantes itens para o condicionamento acústico do ambiente, promovendo a redução de ruído, melhorando as condições de comunicação dos ambientes corporativos. Isso acontece por conta da capacidade de absorção sonora desses elementos. Como dissemos anteriormente, existem diversas opções de forros acústicos no mercado. Conheça algumas opções:

Forros minerais: são fáceis de instalar e de fazer a manutenção, apresentam grande funcionalidade para paginação, cores e modulação nos ambientes e boa relação custo-benefício. Geralmente, possuem boa absorção em frequências médias e altas, sendo efetivos para aplicações com uso predominante da fala.

Forros de madeira: apresentam estética mais sofisticada e padrões de acabamentos variados envolvendo diferentes perfurações e sistemas que podem auxiliar na absorção de frequências mais específicas emitidas por equipamentos e sonorizações.

Nuvens e baffles: podem ser aplicados em ambientes preexistentes, sem a necessidade de obras. Possuem altos coeficientes de absorção, variada gama de formatos, cores e, por serem suspensos, beneficiam ambientes com pé-direito mais elevado.

Placas acústicas: material colado de fácil instalação, permite criar paginações com maior liberdade. É uma solução prática e rápida para correção acústica de espaços.

4 – Use elementos complementares que ajudam na absorção acústica

Além do uso de forros e revestimentos acústicos, outras soluções complementares podem ajudar no conforto acústico por serem elementos absorvedores.

Carpetes mais grossos, cortinas mais pesadas e mobiliários estofados também são elementos que podem contribuir nesse sentindo, quando corretamente calculados. “Lembrando sempre que as simulações devem considerar as próprias pessoas como elemento absorvedor”, explica Schmitt.

“Não temos uma regra e caminhamos com a arquitetura para propor um ambiente que seja, ao mesmo tempo, surpreendente e envolvente do ponto de vista arquitetônico e do ponto de vista acústico”, complementa Nepomuceno.

5 – Observe com atenção esse checklist na hora de especificar os materiais

– Entenda o programa de uso do espaço.

– Estude o projeto arquitetônico e suas expectativas.

– Siga à risca os cálculos e especificações que indicam a quantidade de materiais e onde devem ser instalados. Material em excesso ou em falta pode trazer efeitos acústicos negativos para os ambientes.

– Estude o fluxo de circulação e concentração de pessoas e as áreas que demandam silêncio e concentração.

– Preste atenção em questões que não são diretamente da acústica, mas têm íntima relação com ela, como a compatibilização com sistema de ar-condicionado e a iluminação.

– Ao especificar um sistema, jamais menospreze as questões relativas à sua manutenção, vida útil e limpeza.

– Fique atento à produtos que atendam as normas do corpo de bombeiros referente à resistência ao fogo.

6 – Inspire-se em bons projetos

No empreendimento Absolute Business e Hotel, situado em Itajaí (SC), diversos ambientes foram alvo de estudo do projeto acústico, de autoria da Scala Acústica. Entre eles, destaca-se o auditório, que deveria funcionar como dois ambientes distintos: um dividido em dois espaços de uso simultâneo (com o uso de uma divisória acústica retrátil) e o outro, como ambiente único. Para cumprir satisfatoriamente suas funções acústicas, foi utilizado o forro mineral modelo Sinfonia da OWA Sonex, em conjunto com mais alguns materiais acústicos. “O tempo de reverberação calculado e medido ficou em torno de 1,2 segundos para as principais frequências da fala e música”, lembra o arquiteto Arthur Bianchi, coordenador de projetos da Scala Acústica.

Foto: Procave (Auditório Absolute)

O arquiteto também lembra que, no próprio projeto do escritório da Scala Acústica, localizado em Blumenau (SC), a preocupação foi garantir o melhor ambiente acústico possível. Para alcançar esse objetivo, utilizaram-se as nuvens Sonex illtec e as placas acústicas Sonex illtec Plano também da Owa Sonex na área de projetos, o que resultou em um tempo de reverberação calculado e medido por volta de 0,7 segundos. Na sala de reuniões, foi utilizado Sonex illtec perfilado em conjunto com demais materiais absorvedores. “A resposta do ambiente está ≤ 0,5 segundos, propositalmente para demonstração de um espaço mais “seco”, conta.

Colaboração técnica

Rafael Schmitt – engenheiro e sócio-diretor da Scala Acústica

Arthur Bianchi – arquiteto e coordenador de projetos da Scala Acústica

José Augusto Nepomuceno – consultor principal da A&S em São Paulo e diretor associado da Akustiks nos EUA

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