Sete dicas para garantir a acústica perfeita em bibliotecas

Sete dicas para garantir a acústica perfeita em bibliotecas
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Conversas, ruídos de pessoas caminhando, de aparelhos eletrônicos, e sons externos, resultam em perda de produtividade e de concentração. Saiba como evitar essas distrações!

Uma biblioteca deve ser pensada como um espaço capaz de proporcionar máxima qualidade acústica ao seu usuário, atenuando os ruídos externos e internos no local. Este tipo de ambiente deve criar uma atmosfera de conforto e tranquilidade, facilitando a compreensão das atividades que são exercidas ali.

Por isso, é fundamental que os projetos arquitetônico e acústico atendam aos requisitos das normas concernentes, especificando sistemas de isolamento sonoro e materiais absorvedores acústicos calculados, de preferência, através do uso de softwares específicos.

“É muito importante usar revestimentos absorvedores sonoros, principalmente no forro e, se necessário, em paredes, além de móveis estofados ou biombos. O layout da sala também pode contribuir muito para o conforto acústico, com mesas e cadeiras mais afastadas”, conta Fernanda Montenegro Cotias Fonseca, arquiteta da Sonar Engenharia.

Pensando nisso, separamos as principais estratégias para garantir a melhor condição acústica em uma biblioteca:

1 – Respeitar o tipo e o uso de cada biblioteca

De maneira geral, as mesmas diretrizes de projeto devem ser respeitadas em todos os tipos de bibliotecas, sejam elas públicas, escolares, infantis ou monásticas. O objetivo é o mesmo: proporcionar um ambiente propício para o aprendizado, onde o usuário possa exercer sua atividade mantendo a desejada concentração com o mínimo de interferência interna ou externa. 

“O projetista deve conhecer todas as atividades que envolvem a biblioteca e adjacências para propor as soluções mais adequadas”, lembra Fernando Alcoragi, sócio diretor técnico Akkerman Alcoragi Acústica Ideal.

Porém, em bibliotecas infantis, a conversação das crianças é muito mais difícil de ser controlada quando comparada a dos adultos. Nestes casos, é recomendado utilizar revestimentos com maior coeficiente de absorção sonora. 

Algumas bibliotecas também possuem espaço para realização de trabalhos em grupo. Logo, estes ambientes devem ser bem definidos e isolados acusticamente, o que pode ser feito com a criação de “casulos acústicos”. 

2 – Garantir o isolamento do ambiente

O isolamento acústico é fundamental para evitar que ruídos externos se propaguem para o interior do espaço. Na etapa do projeto, é fundamental analisar a localização da biblioteca (se próxima ou não a ruas de alto tráfego) e como ela será implantada (se dentro de uma edificação maior ou em um bloco único). 

“Outros pontos são importantes e devem ser analisados. Ficará próxima de locais ruidosos, como os com circulação de pessoas, casas de máquinas ou salas de aulas? Também é importante saber quais os tipos de janelas e portas serão utilizados, se haverá possíveis ruídos de maquinário do sistema de ar condicionado e qual será o sistema construtivo utilizado”, explica Fernanda. 

A arquiteta lembra ainda que, para prevenir a “invasão” de ruídos externos, pode ser necessária a realização de monitoramento sonoro na vizinhança com sonômetros e uso de softwares específicos. “Esta é uma maneira eficaz para a predição dos níveis sonoros esperados no entorno da biblioteca e para determinar o grau de isolamento acústico necessário aos sistemas a serem aplicados”, completa. 

Dentre os principais elementos para garantir um bom isolamento estão as próprias paredes, que podem ser em alvenaria, concreto e drywall e o sistema de cobertura, incluindo as lajes, portas, caixilharia e divisórias de vidro.  

3 – Prever soluções para a absorção do som

O ambiente interno de uma biblioteca deve ser propício à concentração, evitando ao máximo a interferência de sons alheios e que o usuário desvie a sua atenção da leitura. O tempo de reverberação e a inteligibilidade da fala são definidos pelos acabamentos internos, que devem ser calculados para se chegar ao resultado ideal. “Deve haver um equilíbrio entre absorção e reflexão sonora, pois absorção em excesso também pode ser prejudicial”, explica Alcoragi. 

Cabem aos revestimentos e acabamentos de piso, parede e teto absorver o som dentro destes ambientes. Forros acústicos, que podem ser modulares em fibra mineral, lã de vidro ou até madeira, e modelos com apelo decorativo maior, como nuvens e baffles absorvedores, são algumas soluções recomendadas para essa finalidade.

Também é importante prever revestimentos de parede que atendam aos índices de absorção sonora desejados e que sejam resistentes e de fácil manutenção. Os acabamentos de piso devem ser de fácil manutenção. “Todas estas definições devem respeitar o partido arquitetônico original de projeto”, ressalta o arquiteto especialista em acústica.  

4 – Utilizar produtos para a proteção contra o fogo 

O projetista deve ter bastante atenção ao especificar seus produtos, pois além de possuírem bons coeficientes acústicos, estes devem atender às Instruções Normativas do Corpo de Bombeiros da sua localidade. Existem muitos produtos no mercado que atendem a esses critérios, tanto para forros, como espumas e painéis de madeira. 

Estas soluções devem, obrigatoriamente, ser ensaiadas em laboratório. O fabricante precisa apresentar o laudo comprovando o comportamento do material quanto à propagação a chamas e o atendimento da instrução Técnica 10 do Corpo de Bombeiros.

5 – Usar e abusar dos formatos 

Cada vez mais o mercado lança produtos que aliam beleza, eficiência acústica e um custo viável. As nuvens acústicas e os baffles combinam excelente resultado estético à eficiência acústica. Os casulos acústicos em madeira e espuma de melamina incombustível junto a aplicação de lã de vidro para isolação também proporcionam mais privacidade e conforto acústico, além de dar um toque especial e moderno ao ambiente.  

“Outra tendência atual é a solução com teto e instalações aparentes. Também temos visto ambientes cada vez mais ‘clean’ com o mínimo de interferência possível”, conta Alcoragi. Nesses casos também é possível usar soluções que se moldam ao projeto sem ganhar tanto destaque, e empregam a eficiência acústica necessária.

6 – Adequar as soluções ao projeto arquitetônico

O ideal é prever o tratamento acústico durante a fase do projeto, minimizando interferências com outras disciplinas complementares e se adequando à arquitetura.

É possível realizar intervenções acústicas em bibliotecas já em funcionamento, optando, de preferência, por materiais de fácil instalação que impactem o mínimo possível no funcionamento do espaço, como por exemplo a utilização de espumas acústicas, nuvens ou baffles. 

Estes produtos podem ser fixados no teto existente, pois são materiais com ótima resposta acústica, além de atenderem aos critérios de incêndio. Também são leves o suficiente para serem instalados sem grandes interferências e rapidamente durante o funcionamento normal da biblioteca. 

7 – Evitar espaços com alta reverberação

Ambientes altamente reverberantes e a deficiência no isolamento acústico são os principais erros que podem prejudicar a eficiência do tratamento acústico em bibliotecas. Como consequência, o espaço não favorecerá o aprendizado e a concentração aos seus usuários, duas características fundamentais em projetos desta natureza.  

“Espaços altamente reverberantes e o isolamento acústico frágil dificultam a concentração dos leitores, tornando a estadia no ambiente desagradável”, lembra Fernanda.  

Case – Espaço múltiplo 

Criar um espaço onde vários ambientes diferentes de uso simultâneo pudessem coexistir dentro de uma biblioteca era o principal desafio deste projeto, de autoria do escritório Ricardo Julião. Para resolver esta questão, foi desenvolvida uma área central com uma pequena arquibancada. No seu perímetro, foram dispostas salas de reuniões com divisórias de vidro e uma biblioteca infantil.  

Para complementar o projeto acústico da biblioteca, foi utilizado o Nexacustic, da Owa Sonex, no forro. “Definimos a especificação e o isolamento acústico das divisórias, tanto internas quanto externas, podendo ser em vidro ou cegas, tipo drywall ou alvenaria”, explica Fernando Alcoragi, sócio diretor técnico Akkerman Alcoragi Acústica Ideal, escritório responsável pelo projeto de acústica. O resultado foi um ambiente confortável onde todos podem extrair o máximo de conhecimento que lhes é oferecido. 

Colaboração técnica 

Fernanda Montenegro Cotias Fonseca – arquiteta da Sonar Engenharia

Fernando Alcoragi – sócio diretor técnico Akkerman Alcoragi Acústica Ideal

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