Silêncio em hospitais é imprescindível para recuperação dos pacientes

Silêncio em hospitais é imprescindível para recuperação dos pacientes
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Os efeitos terapêuticos do silêncio podem prevenir doenças como depressão e Alzheimer, além de garantir bem-estar e melhorar a qualidade do sono

Texto: Gisele Cichinelli

Imagens: Fabina Frasseto e Tamiris Iglesias

De acordo com pesquisas científicas e estudos estrangeiros, os altos níveis de som em hospitais e instalações da saúde prejudicam o sono, causam o aumento do nível de estresse, da frequência cardíaca e ainda atrasam a reabilitação pós-doença. Isso sem contar que a presença de ruídos também impacta diretamente na qualidade do atendimento dos profissionais da saúde.

Um dos motivos que explica todos esses danos do barulho à saúde é a característica da nossa audição. “Ela nunca é desligada, o que significa que o cérebro continua a processar todas as ondas sonoras mesmo se a pessoa estiver sedada ou dormindo”, observa Rafael Schmitt, sócio-diretor da Scala Acústica, responsável pelo setor de Projetos.

Por isso é de vital importância que os ambientes nos hospitais sejam favoráveis à recuperação e bem preparados do ponto de vista acústico. “O ambiente com conforto acústico é humanizado e proporciona ao paciente uma boa qualidade de sono, reduz o estresse contribuindo diretamente para o seu bem-estar, além de propiciar uma melhor comunicação e um bom ambiente de trabalho para os profissionais de saúde”, explica Tamiris Iglesias, arquiteta da C+A Arquitetura para Saúde.   

Fontes diversas de ruído

Apesar de precisar contemplar essas necessidades, de modo geral os hospitais ainda são locais muito barulhentos. De acordo com Schmitt, a maioria dos edifícios hospitalares não chega nem perto de atender o limite máximo de 35 dB estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) – o que seria considerado um ambiente sonoro curativo. 

Sons de equipamentos, alarmes e conversas são as principais fontes de ruído dentro de hospitais. Mas em determinados ambientes a situação pode ser ainda mais drástica. Em salas de cirurgia ortopédica, por exemplo, o cirurgião pode usar equipamentos com elevado nível de ruído como furadeira e serra. “Mas, ao mesmo tempo, é crucial que a equipe seja capaz de se ouvir durante um procedimento”, destaca Schmitt. Em corredores, os ruídos mais comuns são os de movimentação de carrinhos, camas, equipamentos médicos e outros tipos de suprimentos. 

O projeto acústico deve sanar essas necessidades, sempre levando em consideração o estudo das condições sonoras de cada espaço de acordo com seu uso e finalidade.  

Para projetar hospitais “saudáveis”, o projetista deve estar atento a uma série de aspectos como a entrada de ruído exterior de acordo com a região de entorno (tráfego rodoviário, ferroviário e aeroviário) que devem ser solucionados com isolamento acústico. E para uma melhor inteligibilidade da fala e controle dos ruídos é preciso investir em materiais que absorvam os sons para uma maior clareza e conforto sonoro.

A importância do conforto acústico para pacientes e profissionais de saúdePowered by Rock Convert

“É fundamental evitar a propagação de som em áreas de esperas e lobbys, áreas de trânsito de pessoas e, principalmente, nas circulações”, explica Jéssica Fernandes, arquiteta da C+A Arquiteta e Design de Interiores.   

Diretrizes de projeto 

Cada local deve se adequar acusticamente dentro dos requisitos normativos da NBR 10152 e das referências internacionais como LEED for Healthcare. O mais indicado é tentar separar as atividades silenciosas das barulhentas, definir os requisitos de ruído para todos os equipamentos, escolher os materiais para cada tipo de ambiente e suas respectivas quantidades.  

“De modo geral, a solução é interromper o som perto da fonte, antes que se espalhe. Isso se faz com materiais específicos capazes de absorver o som – normalmente aplicados em tetos ou paredes. Outra possibilidade é criar obstáculos (anteparos) para o som por meio de soluções fonoisolantes e fonoabsorventes”, conta Schmitt. 

Projetos casados

O ideal é que o especialista em acústica seja envolvido desde a concepção do projeto hospitalar e tenha liberdade para tomar decisões em conjunto com os projetistas de arquitetura. Assim, é possível pensar no layout e disposição dos ambientes que requerem maior ou menor privacidade e ainda estudar e recomendar as geometrias mais favoráveis, além de orientar a aquisição de equipamentos e sistemas de sonorização.  

Cabe ao projeto acústico estudar os requisitos de isolamento sonoro, privacidade, inteligibilidade e ruído estrutural (vibração). “No Brasil, normalmente as edificações são construídas em concreto e alvenaria e as esquadrias não possuem cuidados acústicos. Por isso, podemos usar soluções como gesso acartonado, divisórias acústicas em vidro, opacas ou mistas, esquadrias especiais, sistemas de contrapiso flutuante, sistemas de amortecimento antivibração para equipamentos em geral, forros absorvedores e revestimentos absorvedores de paredes como complementos ao projeto”, explica Schmitt.  

Hospital DF Star

No projeto do Hospital Df Star, de autoria da C+A Arquiteta e Design de Interiores, foram usadas diversas soluções para minimizar os ruídos e proporcionar bem-estar e conforto aos pacientes e funcionários. Em função do pé-direito duplo e uma grande área de caixilho, no lobby foi necessário o uso de nuvens do forro monolítico OWAplan, além do uso de painéis acústicos Nexacustic. No posto de enfermagem, na circulação e na sala multiuso, a opção foi o forro mineral Sinfonia

Colaboração Técnica

Rafael Schmitt – sócio-diretor da Scala Acústica, responsável pelo setor de Projetos.

Tamiris Iglesias e Jéssica Fernandes – arquitetas da C+A Arquiteta e Design de Interiores  

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