Como garantir a sinergia entre os projetos de iluminação e acústica?

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É possível criar ambientes incríveis com estratégias casadas de luminotécnica e acústica e o uso de produtos eficientes. Veja a seguir!

Sonex illtec aplicado na laje permite que o forro fique livre, possibilitando criações interessantes, como velas suspensas Foto: Marcos Cimardi

Uma boa iluminação pode transformar completamente um espaço e a forma de percebê-lo, além de valorizar a estética e conferir sensação de bem-estar aos ambientes. Com um bom projeto luminotécnico em mãos, é possível prever não apenas os custos de equipamentos, instalação e do consumo de energia, mas também quais as melhores estratégias para reduzir essa conta.

Felizmente, o mercado oferece uma grande variedade de equipamentos de iluminação e de controle da luz, além de materiais efetivos para cada tipo de projeto. Mas, para aproveitar ao máximo o potencial desses produtos e soluções, a luminotécnica deve ser pensada em parceria com os projetos de arquitetura e de acústica.  

“Hoje, as boas soluções de acústica e luminotécnica integradas compõem, em conjunto com a arquitetura, a nova estética dos projetos”, ressalta Juliana Loss Vicenzi, light designer da Pitá Arquitetura.

Ela lembra que, com essa nova forma de pensar os espaços, as soluções de iluminação e acústica também vêm se transformando ao longo dos anos. As opções padrão ortogonais, por exemplo, têm dado espaço aos projetos com estrutura aparente e soluções criativas, que quando casados com materiais acústicos de formatos diversos, permitem criar atmosferas interessantes e atualizar os ambientes. Mas até mesmo os forros simples podem ser transformados com cores e texturas.

Sinergia

Fotos: Marcos Cimardi

Vale lembrar que a acústica e a luminotécnica são duas especialidades de projeto determinantes para garantir o bom desempenho e a eficiência de uma edificação. Quando bem resolvidas e projetadas, trazem condições de conforto indispensáveis para um ambiente de trabalho, por exemplo.

Por isso, para explorar o melhor de cada área, os projetos devem nascer juntos e ter sinergia total. A especificação e o dimensionamento de forros acústicos, por exemplo, devem ser compatibilizados com os tipos, as dimensões e os equipamentos de suporte da luminotécnica.

“Estes projetos devem ser desenvolvidos numa parceria plena desde o início da sua concepção, tão logo os projetistas tomem conhecimento do tipo de forro e do padrão de iluminação estabelecido pelo arquiteto”, salienta Maria Inês Jabur Zemella, sócia-diretora da Vernare Projetos.

De acordo com Arthur Bianchi, arquiteto e coordenador de projetos da Scala Acústica, um dos principais pontos de atenção para a melhor interface entre esses projetos é a composição de um layout, principalmente de forro, que possua a área necessária de materiais acústicos, assim como os pontos de iluminação direta e indireta. “É possível se aproveitar disso para criar estética e visual interessantes. A iluminação também pode ajudar a dar destaque aos revestimentos mais refinados”, observa.

Evitando problemas!

A falta de compatibilização entre os sistemas é um dos principais erros a ser evitado.  Geralmente isso acontece quando uma disciplina se sobrepõe à outra ou quando as premissas estabelecidas pelo parceiro na tomada de decisões são deixadas de lado.

“Algumas vezes necessitamos fazer um incremento no isolamento de um espaço e criamos uma nova barreira como um forro ou revestimento de parede. Esta barreira precisa ser estanque e as aberturas para luminárias e outros objetos podem tirar boa parte da eficiência desta solução, por isto o profissional de luminotécnica precisa verificar com a equipe do projeto acústico quais as recomendações e boas práticas para estas composições”, explica Bianchi.

Além de garantir o desempenho, também é preciso estar atento à segurança. Por isso, um ponto de atenção é a interação entre os circuitos elétricos da parte luminotécnica com os revestimentos acústicos. “Procuramos utilizar materiais ignífugos ou não propagantes de chamas, como Nexacustic ou Sonex Illtec”, conta o arquiteto. 

Em espaços de eventos como teatros e auditórios, que possuem maiores exigências quanto aos requisitos de incêndio, os projetistas devem redobrar a atenção para que acústica e a luminotécnica garantam, além de um bom espetáculo, a segurança dos usuários do local.

Produtos de ponta

Fotos: Marcos Cimardi

Uma boa notícia é que a indústria acústica tem se preocupado bastante em produzir bons produtos com tecnologia aplicada para reduzir riscos e prevenir possíveis acidentes. “Hoje, tanto os materiais aplicáveis em acústica quanto os equipamentos utilizados em luminotécnica estão, em sua maioria, de acordo com as normativas de incêndio”, conta Maria Inês.

Ela explica que cuidados maiores devem ser tomados na especificação de acabamentos diferenciados, fora de linha ou sem certificados, como tecidos, papéis, madeirados e derivados de plásticos e borrachas. Estes materiais, quando não devidamente protegidos e certificados pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), devem passar pelo crivo de aprovação dos bombeiros. Diversos critérios como quantidade, forma e local de instalação, e possibilidade de aplicação de materiais que tragam uma proteção passiva contra o fogo, são avaliados nesta etapa. “Existem materiais que se aplicam sobre tecidos e madeiras e exercem a função protetora contra chamas”, esclarece Maria Inês.

Um produto, duas soluções

Algumas soluções atendem bem aos dois projetos. É o caso das nuvens acústicas que, em composição com luminárias, promovem a absorção acústica e qualidade luminotécnica em espaços com grandes volumes, além de causar um efeito estético excelente. 

Forros minerais modulares podem ser bem versáteis na hora de propor um layout luminotécnico e são amplamente usados para garantir o conforto acústico de escritórios.

Vale ressaltar que cabe ao arquiteto usar produtos de boa qualidade técnica. Além disso, a instalação adequada, seguindo as normas, garante um espaço seguro para os usuários dos ambientes projetados.  

Dicas para não errar na hora de pensar a luminotécnica e a acústica:
– Entenda qual o conceito do projeto e a atmosfera que pretende criar;
– Lembre-se de que a interação de todas as disciplinas é essencial para um bom resultado estético e técnico;
– Crie uma boa interação entre formas e proporções dos elementos;
– Não se esqueça de pensar no projeto e na compatibilização dos elementos de forro;
– Escolha bons materiais e equipamentos. 

Experiência concretizada

Ao desenvolver o projeto de uma empresa de tecnologia e cinema, o escritório Pitá Arquitetura buscou fugir dos modelos corporativos convencionais. Para a iluminação, a solução foi apostar em um mix de peças técnicas e decorativas que possibilitassem um visual descontraído.

Para conseguir um bom desempenho acústico, foram utilizadas diferentes estratégias. Nas áreas de trabalho, os baffles lineares com cores diferentes criam um movimento no forro junto com as luminárias, gerando uma atmosfera agradável de trabalho. Na área de café, foi aplicado o Sonex illtec  na laje, permitindo que o forro ficasse livre e possibilitando criações interessantes, como velas suspensas.  

Colaboração técnica

Juliana Loss Vicenzi – light designer da Pitá Arquitetura

Maria Inês Jabur Zemella – sócia-diretora da Vernare Projetos

Arthur Bianchi – arquiteto e coordenador de projetos da Scala Acústica

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